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Brasil em 1922 a 1930 – 1° fase do Modernismo
Essa fase é marcada pela busca do moderno, do original e polêmico, chamada de fase heróica/guerreira. É marcada também pelo nacionalismo, presente de duas formas: a crítica, a denúncia da realidade pela esquerda política, e a ufanista, exagerada e de extrema direita.
Em fevereiro de 1922 é realizada a Semana de Arte Moderna, outro fato importante desse mesmo ano foi a publicação da revista Klaxon, processo de divulgação das ideias modernistas. Houve o lançamento de 4 movimentos culturais: o Pau-Brasil, o Verde Amarelismo, a Antropofagia e a Anta.
O Brasil vive os últimos anos da República Velha. Um mês após a SAM, o país passou por 2 momentos muito importantes politicamente: Artur Bernardes e Nilo Peçanha participam da eleição para presidente e a fundação do Partido Comunista Brasileiro em Niterói, sendo Mário de Andrade um de seus fundadores.
Em julho, há a revolta militar do forte de Copacabana e, em novembro, Artur Bernardes toma posse do cargo presidencial.
Foi um período revolucionário com a Revolução de 30 e a ascensão de Getúlio Vargas. Mário de Andrade deu seu depoimento: “Mil novecentos e trinta...Tudo estourava, políticas, famílias, casais de artistas, estéticas, amizades profundas. O sentido destrutivo e festeiro do movimento modernista já não tinha mais razão de ser, cumprindo o seu destino legítimo. Na rua, o povo amontinado gritava: - Getúlio! Getúlio!...”






PARTE 2

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O expressionismo designa um movimento cultural que se manifestou nos mais diversos campos artísticos, como nas artes visuais, no teatro, na literatura e no cinema. Nas artes plásticas (pinturas, esculturas, fotografia) e na arquitetura, esta tendência, de dimensão internacional desenvolveu-se a partir do final do século XIX, tendo conhecido uma importante expansão na Alemanha, nos contexto de angustia e de agitação social que antecedeu a Primeira Guerra Mundial. O expressionismo apresentou-se em oposição tanto ao sentido cientista do Impressionismo como à vocação decorativa da Arte Nova e caracteriza-se pela procura de formas artísticas que exprimissem mais livre e subjetivamente os sentimentos do artista em ralação à realidade. Os quadros tornaram-se o retrato intenso de emoções, transmitidas através de cores violentas e de pinceladas vincadas e as esculturas apresentavam formas agressivas, modelações vincadas e texturas rudes. As primeiras manifestações que se podem considerar precursoras do movimento expressionista datam de meados de 1880. Entre estas se contam as obras do pintor holandês Vincent Van Gogh, marcante pelo uso intenso dos valores cromáticos e texturais, e do francês Toulouse-Lautrec, nomeadamente pelos temas abordados e pela liberdade e espontaneidade do desenho. Os pintores Edvard Munch, expoente do Expressionismo nórdico, e James Ensor representaram outro momento de afirmação dos fundamentos da estética expressionista, como temas dramáticos e obsessivos e pela violência das formas e da cor. Todas estas referências vão cruzar-se no contexto artístico da Alemanha de inicios do século, encontrando eco em artistas que procuram afirmar novos caminhos.


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Munch imortalizou esta impressão no quadro O Desespero, que representa um homem de cartola e meio de costas, inclinado sobre uma vedação num cenário em tudo semelhante à da sua experiência pessoal. Não contente com o resultado, Munch tentou uma nova composição, desta vez com uma figura mais andrógina, de frente para o observador e numa atitude menos contemplativa e mais desesperada. Tal como o seu percursor, esta primeira versão d’O Grito recebeu o nome de O Desespero.Observe que ao fundo temos um céu de cores quentes, em oposição ao rio em azul (cor fria) que sobe acima do horizonte, característica do expressionismo (onde o que interessa para o artista é a expressão de suas ideias e não um retrato da realidade). A figura humana também está em cores frias, azul, como a cor da angústia e da dor, sem cabelo para demonstrar um estado de saúde precário. Os elementos descritos estão tortos, como se reproduzindo o grito dado pela figura, como se entortando com o berro, algo que reproduza as ondas sonoras. Quase tudo está torto, menos a ponte e as duas figuras que estão no canto esquerdo. Tudo que se abalou com o grito e com a cena presenciada está torto, quem não se abalou (supostamente seus amigos, como descrito acima) e a ponte, que é de concreto e não é "natural" como os outros elementos, continua reto.A dor do grito está presente não só no personagem, mas também no fundo, o que destaca que a vida para quem sofre não é como as outras pessoas a enxergam, é dolorosa também, a paisagem fica dolorosa e talvez por essa característica do quadro é que nos identificamos tanto com ele e podemos sentir a dor e o grito dado pelo personagem. Nos introjetamos no quadro e passamos a ver o mundo torto, disforme e isso nos afeta diretamente e participamos quase interativamente da obra. Ou seja, a obra representa uma figura andrógena num momento de profunda angústia e desespero existencial. O pano de fundo é a doca de Oslofjord (em Oslo) ao pôr-do-Sol. O Grito é considerado como uma das obras mais importantes do movimento expressionista e adquiriu um estatuto de ícone cultural, ao lado da Mona Lisa de Leonardo da Vinci.


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Movimento de revolução estética desencadeado pela publicação, por Marinetti, do manifesto "Fundação e Manifesto do Futurismo", na primeira página do jornal Le Figaro, a 20 de fevereiro de 1909, seguido de uma série de outros manifestos que irão nos anos seguintes fazer alastrar por toda a Europa os processos e técnicas artísticas futuristas. Através de uma linguagem que choca pela sua agressividade e pelo seu carácter iconoclasta, o tom violento, interpelativo e provocatório dos manifestos futuristas funda-se num ultimato lançado com raiva a um passado que vigora ainda no presente nas formas estéticas, ideias, crenças e atitudes dominantes, por vezes simbolizadas numa figura pública que urge abater espiritualmente(cf., por exemplo, o Manifesto Anti-Dantas de Almada Negreiros), em nome de um futuro cujos traços definidores se concentram no dinamismo, na exaltação da técnica, na simultaneidade de espaços, de tempos e de sensações, na fusão de expressões artísticas, na dessacralização das poéticas convencionais. Ao mesmo tempo, a poética futurista postula a necessidade de a linguagem literária dever contribuir também para a demolição de hábitos culturais estereotipados e retrógrados. Os poemas futuristas são facilmente identificáveis por uma série de recursos destinados a abalar o leitor: profusão de exclamações, de apelos, de neologismos criados pela associação inédita de palavras, pelo emprego de termos insultuosos, pela autonomia concedida ao significante linguístico, numa exploração dos efeitos visuais e fónicos das palavras, pela introdução de grafismos no poema, pela ruptura com a lógica sintática tradicional: longas enumerações de frases nominais, uso do verbo no infinitivo, uso aleatório da pontuação e de maiúsculas.



Amanhecer de uma cidade, Itália, 1913

foi a primeira composição de Luigi e podíamos acompanhar a musica ouvindo de uma perspectiva assim:
”Primeiro ouvimos um murmúrio tranquilo”. A cidade grande ainda dormindo. Vez por outras algum gigante escondido numa dessas caixas esquisitas (os instrumentos de ruído, n.d.t.) ronca assustadoramente; e um recém-nascido chora. Em seguida, ouça-se novamente o murmúrio, um som suave como uma onda quebrando na praia. Agora, um ruído vindo de longe cresce rapidamente num potente rugido alguns segundos depois centenas de carros e camionetes parecem correr em direção à estação, encobertos pelo estridente apito das locomotivas. Em seguida, ouvimos os trens, acelerando tumultuosamente; depois, um dilúvio de água parece inundar a cidade, crianças chorando e meninas rindo debaixo d'agua.






Luigi Russolo:
Russolo estabelece que o barulho nasceu após a invenção das maquinas, pois antes o mundo era um lugar calmo e silencioso, ele alcançou uma complexidade tão grande que chegou a concluir que a incorporação do ruído é uma parte da linguagem musical. Russolo dizia que nós somos familiarizados com os ruídos, logo a musica futurística faz uma referência ao nosso cotidiano, ele diza que o ruído e
a apenas considerado pelas suas qualidades musicais expressivas e não tinha outro significado.
Russolo foi o criador do Intonarumori que são instrumentos mecânicos capazes de traduzir uma realidade sonora que engloba toda uma gama de ruídos, alem de conseguir obter sonoridades pouco usuais dos instrumentos de corda. Apesar de ainda não serem elétricos as invenções de Russolo contribuíram para um desenvolvimento do pensamento musical da era moderna.



Os reflexos no Brasil: Semana de Arte Moderna e Modernismo 1º Fase



“FOI A MAIOR ORGIA INTELECTUAL QUE A HISTORIA ARTÍSTICA REGISTRA”

A semana de arte moderna, também chamada de semana de 22, ocorreu em SP em 1922, entre os dias 11 a 18 de fevereiro, no teatro municipal da cidade. Apesar de dizermos “semana” o evento aconteceu em apenas três dias e tornou-se referencia cultural no século XX.

No dia 13, Graça Aranha proferiu a conferência "A emoção estética na arte", na qual elogiou os trabalhos expostos, investiu contra o academicismo, criticou a Academia Brasileira de Letras e proclamou os artistas da Semana como personagens atuantes na "libertação da arte".


No dia 15, Oswald de Andrade leu alguns de seus poemas e Mário de Andrade fez uma palestra intitulada "A escrava não é Isaura", onde se referia ao "belo horrível" e evocava a necessidade do abrasileiramento da língua e da volta ao nativismo.


Na noite do dia 17, houve a apresentação de Villa-Lobos. A Semana prestigiou e promoveu o talento do artista, transformando-o, pela boa acolhida do grande público, na figura máxima do período nacionalista do qual se insere a produção musical modernista.


A semana de arte moderna foi uma renovação na linguagem, na busca de experimentação. Foi a grande ruptura com o passado e a arte passou então da vanguarda para o modernismo. O evento marcou época ao apresentar novas ideias e conceitos artísticos, como a poesia através da declaração, que antes era só escrita.


No Brasil este movimento é um marco, no entanto, devemos lembrar que o modernismo já se mostrava presente muito anos do movimento de 1922. As primeiras mudanças na cultura brasileira que tenderam para o modernismo datam de 1913 com as obras do pintor Lasar Segall; e no ano 1917, a pintora Anita Malfatti, recém-chegada da Europa, provocam uma renovação artística com a exposição de seus quadros. A esse período chamamos de pré-modernismo (1902 - 1922), no qual se destacam literariamente lima Barreto, Euclides da cunha, monteiro lobato e augusto dos Andes; nesse período ainda podemos notar certa influencia de movimentos anteriores como realismo/ naturalismo, parnasianismo e simbolismo.


A partir de 1922 com a semana de arte moderna tem inicio do que chamamos a primeira fase do modernismo ou fase heroica (1922 - 1930) esta fase caracteriza-se por um maior compromisso dos artistas com a renovação estética que se beneficia pelas estreitas relações com as vanguardas europeias (cubismo, futurismo, surrealismo, etc), na literatura há a criação de uma forma de linguagem, que rompe com o tradicional, transformando a forma como ate então se escrevia; alguma dessas mudanças são: a liberdade formal (a utilização do verso livre, quase abandono das formas fixas – como soneto, a fala coloquial, ausência de pontuação, etc), a valorização do cotidiano, a reescritura de textos do passado, e diversas outras; este período caracteriza-se também pela formação de grupos do movimento modernista; Pau-Brasil, Antropofágico, Verde-amarelismo, grupo de porto alegre e grupo modernista-regionalista de Recife.




A Semana foi apoiada por elementos da elite paulista, que estavam ligados à cultura européia, fato comum na sociedade da América. Porém, algo estava se modificando: tratava-se de usar a cultura do Velho Mundo sem imitações vazias e servis, visando elaborar o que era específico da cultura brasileira, isto é, destruir uma ordem artística decadente e despertar consciências para a realidade brasileira. Redescobrir o Brasil foi a grande meta dos modernistas e, para isto, preocuparam-se em combater as antigas formas do academicismo-sentimentalismo, que dominavam o meio cultural brasileiro.


"...Nesse contexto, o Modernismo Brasileiro teve uma significação especial e muito marcante. Objetivou uma atualização de linguagem formal, sem dúvida de acordo com os figurinos de Paris, a partir da revolução cubista, mas, ao mesmo tempo, desvelou o Brasil nativo como inspiração e afirmação, evidenciado não apenas nos valores cromáticos bem claros numa Tarsila, num Di Cavalcanti, como na temática de um Rego Monteiro, como visível na ‘língua brasileira falada’ assumida por Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Alcântara Machado, assim como na obra poética por um Raul Bopp de Cobra Norato, de 1928.” Amaral, Aracy


Desde cedo os artistas manifestaram intenções de renovar os meios de expressões artísticas, pois sentiam que as formas tradicionais já não eram mais capazes de representar o novo mundo que estava nascendo. Os modernistas usavam como bordão: "Não sabemos o que queremos, sabemos o que não queremos.", ou seja, não queriam a arte do Parnasianismo, do Romantismo e movimentos passados, mas sim a inovação e, a partir desse marco, houve de fato a transição para o Modernismo, onde a nossa realidade, do nordestino, do carioca da gema, do caipira, do sertanejo, passa a ser retratada. Pode-se dizer assim que o Modernismo é o movimento exclusivamente brasileiro.


No Brasil, nem todos viam com bons olhos as ideias radicais de revolução estética que começavam a circular entre os escritores mais jovens, que promoviam encontros e articulavam movimentos com o objetivo de agitar o nosso ambiente cultural. Em 1912, Oswald de Andrade escritor e jornalista tomou conhecimento na Europa das ideias futuristas que seriam divulgadas, mais tarde, em São Paulo. Os jovens perceberam que nossa arte deveria buscar novos caminhos e vendo, na Academia Brasileira de Letras, a representação oficial do tradicionalismo literário, os jovens escritores passaram a atacá-la, erguendo contra ela a bandeira da renovação e modernidade.


Entre os personagens desse movimento, podemos destacar, além de Oswald de Andrade, Anita Malfatti, Mario de Andrade, Di Cavalcanti, Guilherme de Almeida e Ribeiro Couto, Victor Brecheret. Veja que há entre eles escritores, pintores, poetas e escultores.Villa Lobos se apresentou, palestra de Menotti del Picchia, apresentação da pianista Guiomar Novaes. Houve os que vaiaram e os que aplaudiram e podemos dizer que apesar de críticas e obstáculos a Semana conseguiu o pretendido: divulgação ampla de que existia outra geração de artistas lutando pela renovação da arte brasileira, rejeitando o tradicionalismo e as convenções antiquadas, contribuindo assim para dar um impulso decisivo à atualização da cultura brasileira.


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Enfunando os papos,

Saem da penumbra,

Aos pulos, os sapos.

A luz os deslumbra.


Em ronco que aterra,

Berra o sapo-boi:

- “Meu pai foi à guerra!”

- “Não foi!” – “Foi!” – “Não foi!”.

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O sapo-tanoeiro,

Parnasiano aguado,

Diz: – “Meu cancioneiro

É bem martelado.

Vede como primo

Em comer os hiatos!

Que arte! E nunca rimo

Os termos cognatos.

O meu verso é bom

Frumento sem joio.

Faço rimas com

Consoantes de apoio.

Vai por cinquenta anos

Que lhes dei a norma:

Reduzi sem danos

A fôrmas a forma.


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Clame a saparia

Em críticas céticas:

Não há mais poesia,

Mas há artes poéticas…”

Urra o sapo-boi:

- “Meu pai foi rei!”- “Foi!”

- “Não foi!” – “Foi!” – “Não foi!”.

Brada em um assomo

O sapo-tanoeiro:

- A grande arte é como

Lavor de joalheiro.

Ou bem de estatuário.

Tudo quanto é belo,

Tudo quanto é vário,

Canta no martelo”.

Outros, sapos-pipas

(Um mal em si cabe),

Falam pelas tripas,

- “Sei!” – “Não sabe!” – “Sabe!”.

Longe dessa grita,

Lá onde mais densa

A noite infinita

Veste a sombra imensa;

sapo-sapinho-lagoa-cururu-lapis-cor.jpgLá, fugido ao mundo,

Sem glória, sem fé,

No perau profundo

E solitário, é

Que soluças tu,

Transido de frio,

Sapo-cururu

Da beira do rio…










Analise critica do poema

No início da Semana da Arte Moderna, um grupo de artistas que sentiam a necessidade de abandonar os antigos valores clássicos, sobretudo, a estética antiga confrontaram os valores parnasianos que se fundamentavam na valorização da estética e da perfeição. A proposta deste grupo de artista era dar liberdade aos poetas, escultores, pintores e músicos, a fim de que arte brasileira não buscasse modelos estrangeiros, mas sim, valorizasse a própria cultura brasileira. Além disso, a Semana da Arte Moderna propunha o esclarecimento da identidade nacional, bem como, o reconhecimento da liberdade de expressão.
Com o intuito de provocar o estilo parnasiano, na época a escola literária que fazia o gosto dos brasileiros, é feita a leitura do poema de Manuel Bandeira que obviamente foi criticada ferrenhamente pelo público. O texto inicia-se com uma referência do poeta à vaidade dos parnasianos quando cita a palavra “enfunando” que tem o mesmo sentido de “encher-se”, “inflar-se”, no entanto, neste texto o significado mais cabível seria o “enfunar-se” de orgulho, de vaidade.
Ao longo do poema, o eu-lírico constrói a crítica ao parnasiano e a sua estética,
” Diz: – Meu cancioneiro
É bem martelado. “
E ironiza o modo perfeito de se fazer arte.
“Vede como primo
Em comer os hiatos!
Que arte! E nunca rimo
Os termos cognatos.”
No trecho acima o poeta faz um zombaria com o primor que os parnasianos têm em compor rimas, inclusive, em rimar termos cognatos, ou seja, termos que possuem a mesma classe gramatical já que para o parnasiano rimar termos cognatos não é sinônimo de sofisticação, pois as rimas não são consideradas ricas.
Além de ressaltar a estética parnasiana de forma sarcástica,
“Vai por cinqüenta anos
Que lhes dei a norma:
Reduzi sem danos
A fôrmas a forma.”
Manuel Bandeira também faz uma alusão irônica aos poemas que valorizam a descrição dos objetos e da escultura clássica.
“Brada em um assomo

O sapo-tanoeiro:

- A grande arte é como

Lavor de joalheiro.

Ou bem de estatuário.

Tudo quanto é belo,
Tudo quanto é vário,

Canta no martelo”.

Exemplos de poesia parnasianas que mantêm esta valorização dos objetos clássicos são “Profissão de fé”, de Olavo Bilac e “Vaso Grego”, de Alberto Oliveira. Seguem alguns trechos:
(…)“Invejo o ourives quando escrevo:
Imito o amor
Com que ele, em ouro, o alto relevo
Faz de uma flor.”(“Profissão de fé“)(…)“Esta, de áureos relevos, trabalhada
De divas mãos, brilhante copa, um dia,
Já de os deuses servir como cansada,
Vinda do Olimpo, a um novo deus servia.”(…) (“Vaso Grego”)
Entretanto, o poeta moderno não utiliza a forma como meio de compor o tema, mas também, como forma de compor a ironia temática presente no texto. Por exemplo, a composição de todos os versos com a mesma métrica (cinco sílabas) faz parte da proposta parnasiana. No entanto, o poema é criado em redondilhas menores, isto é, a forma mais simples de se compor as sílabas poéticas, o que para os parnasianos é inaceitável, já que eles louvavam a sofisticação e não a simplicidade.
Outro aspecto estrutural que zomba dos aspectos requintados da escola parnasiana é uso das quadras ou quartetos, formas consideradas populares, contrastando, desse modo, com as formas sofisticadas, tais como, o soneto que é muito prezado no parnasianismo.
Esta popularidade da quadra se torna mais evidente na última estrofe cujos últimos versos fazem alusão a uma cantiga popular brasileira.
Que soluças tu,
Transido de frio,
Sapo-cururu
Da beira do rio…”

Logo, o poema “Os sapos” faz uma crítica contundente ao parnasianismo de modo irônico e sarcástico, valendo-se do tema e da própria forma poética na construção poética.