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Vanguardas e Semana de Arte Moderna

Parte 1: História


O contexto histórico da Europa e do Brasil à época do surgimento do Modernismo (Vanguardas e Semana de Arte Moderna)




No final do século XIX um clima pessimista permeou a mente dos artistas e pensadores europeus, levando-os a elaborar ideias que contestavam toda a ordem tradicional existente, vislumbrando então, para o novo século, uma era de luz, liberdade e igualdade.

Com os progressos adquiridos após a I Revolução Industrial, o clima europeu era de grande esperança, apesar da disputa que ocorria nos mercados financeiros internacionais. Essa época foi de grande agrado para a burguesia, que tinha cada vez mais poder, mas, em contraste, existia a marginalização da classe proletária e o aumento do desemprego após a queda da bolsa de Nova York.

Essa situação mundial favoreceu o surgimento das vanguardas, que tinham como bandeira a quebra dos padrões, a inovação, o rompimento com a arte conservadora, criando novos padrões estéticos, que eram mais coerentes ao novo século que se aproximava. Resumindo, qualquer movimento que propunha uma nova visão da arte.

Embora essa quebra de padrões estivesse apenas começando, ela já surgiu com uma visão pessimista, em contexto mundial, devido ao fato da ocorrência de várias guerras, uma grande explosão populacional, e um retrocesso em relação aos direito humanos, que fez com que a população questionasse a ideia de progresso. Porém, costuma-se classificar os movimentos vanguardas entre positivos e negativos.

No Brasil, os fatores que favoreceram o surgimento das vanguardas foram os efeitos políticos gerados com o fim da I Guerra Mundial e da I Revolução Industrial, que criaram uma grande disputa pelo poder, e a mudança do sistema governamental de monarquia para república. Isso gerou um sentimento nacionalista, que fez com que os artistas se questionassem se a arte vinda do exterior realmente era melhor.

Surgiram, então, movimentos de quebra com o que era imposto pela Academia, muitas vezes rejeitando as obras e criando um novo conceito artístico, e isso não foi bem visto no seu início. A população mostrou desprezo pela “nova arte” muito claramente, por meio da própria vaia ou então quando jogavam alimentos nas apresentações. A Semana de Arte Moderna foi a comprovação dessa situação.Esta, ocorreu em 1922 , no Teatro Municipal de São Paulo, e contou com a participação de escritores, artistas plásticos, arquitetos e músicos, tornando-se um marco no modernismo brasileiro. A tentativa de estabelecer uma arte brasileira, livre de fórmulas européias, foi de extrema importância para a cultura nacional e a iniciativa da Semana, uma das pioneiras nesse sentido.

O Modernismo, foi a origem dessas mudanças ocorridas. O passado foi posto abaixo e o futuro passou a ser construído. Tudo passou a obter formas, ideias e linguagens nada usuais. Assim, um novo espírito surgiu no mundo.

VÍDEO: https://www.youtube.com/watch?v=Cl-9ck5EYjU




Parte 2: Artes

Vanguardas

Artes Visuais


Surrealismo nas Artes Plásticas:



Na década de 1920, surge a vanguarda surrealista em Paris. Ela nasce a partir do Dadaísmo, porem rompe com o principio irracional dessa vanguarda. O surrealismo utiliza da filosofia Freudiana para o desenvolvimento de estéticas baseadas no inconsciente, do mundo dos sonhos.
A arte surrealista utiliza de técnicas realistas para representar tudo aquilo que se desenvolve no inconsciente do ser humano. Essa arte não teme demonstrar o bizarro e grotesco presente na sociedade. Os artistas desse movimento buscavam levar ao espectador imagens alucinatórias que estimulavam a imaginação.
Assim como em todas as vanguardas, o surrealismo buscava romper com os ideais clássicos e suas normas. Por consequência, toda e qualquer obra inserida nesse contexto estava aberta a múltiplas interpretações, proporcionando diferentes sensações para observadores distintos.
Um dos artistas de maior destaque dentro dessa vanguarda foi Salvador Dali. Dentre suas obras mais conhecidas esta “A Persistência da Memória”:
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Este é um exemplo de uma obra síntese do movimento surrealista. Os relógios “fundidos” presentes nessa pintura representam o rompimento com a razão e a introdução do imaginário. Salvador Dali trabalha com a distorção do real para representar seu subconsciente.
Outro exemplo do surrealismo nas artes plásticas é “A Tentação de Santo Antonio” , também de Salvador Dali:
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Nessa obra, Dali também distorce a realidade, modificando os aspectos físicos, dando aos animais pernas alongadas e estreitas, mas mesmo assim lhes dando a capacidade de carregar palácios em suas costas.
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“A Caravela” é outra obra surrealista de Salvador Dali. Ela apresenta a justaposição de imagens para integrar os diversos aspectos do mundo dos sonhos em uma só imagem. Nesta pintura, o vestuário da personagem com o mar traz a ilusão da ausência de fronteiras. Também percebe-se o homem como um complemento à caravela.


Artes Cênicas

Filme: Epileptic Plunge (Mergulho Epiléptico)
Vanguarda: Dadaísmo
Link: https://www.youtube.com/watch?v=AQF1RBCicK8

Música



O expressionismo surgiu como uma reação aos padrões acadêmicos e ao sentimentalismo do romantismo. O movimento expressionista é um tanto pessimista quanto ao futuro da humanidade, vai advertir as ameaças que irão pairar sobre o mundo.

Na música expressionista, os compositores depositaram todo o peso de suas emoções mais intensas e profundas, dando a essa um caráter exagerado. A música, de estilo atonal, caracterizava-se, também, pela presença de dissonâncias extremas, melodias frenéticas e contrastes violentos. Alguns dos compositores expressionistas eram Arnold Schoenberg e seus estudantes: Alban Berg e Anton Webern.

Para abandonar a tonalidade, Schoenberg teve que formular uma nova forma de composição, o dodecafonismo. Este consistia no tratamento equivalente as 12 notas da escala cromática, todas as notas possuem a mesma importância.

Aqui se seguem algumas músicas expressionistas:

https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=iYHHXY2lhe4
Composta por Schoenberg em 1909, a obra "Erwartung" utiliza uma voz soprano feminina e uma orquestra com flautas, oboés, clarinetes, fagotes, trompas, trompetes, trombones, harpa, xilofone, pratos, bombo, viola, violoncelo, violino e contrabaixo.Neste ano foi instaurada a organização dos timbres, independentemente da das alturas, e esta constitui a novidade radical do século. Das características gerais do expressionismo, esta obra apresenta a atonalidade.

https://www.youtube.com/watch?v=svzGz3ees_Y
A obra "Klavierstücke Op.33a", também de Schoenberg, composta em 1929, é dodecafônica (ele utilizou de pares combinatoriais para evitar a duplicação) e dissonante. Apresenta somente o piano como instrumento. A música foi escrita num contexto difícil, estava acontecendo o “crack” da bolsa de Nova Iorque. "Um Sobrevivente de Varsóvia op. 48", composta por Schoenberg em 1947 em estilo dodecafônico, apresenta percussão, harpa, narrador, coro masculino e cordas em sua execução. A música faz uma homenagem às vítimas do nazismo na Polônia, durante a Segunda Guerra Mundial.

https://www.youtube.com/watch?v=rGWai0SEpUQ
"Um Sobrevivente de Varsóvia op. 48", composta por Schoenberg em 1947 em estilo dodecafônico, apresenta percussão, harpa, narrador, coro masculino e cordas em sua execução. A música faz uma homenagem às vítimas do nazismo na Polônia, durante a Segunda Guerra Mundial.



Parte 3: Língua Portuguesa


Os reflexos no Brasil: Semana de Arte Moderna e Modernismo 1º Fase



A Semana de Arte Moderna ocorreu no ano de 1922 no Teatro Municipal da cidade de São Paulo. Cada dia do evento era designado à um aspecto cultural: pintura, escultura, poesia, literatura e música. Tinha como objetivo mostrar novas tendências artísticas que já haviam se expandido pela Europa.

Os artistas brasileiros procuravam uma maior liberdade de expressão, com isso, queriam romper com o padrão, romper com a perfeição estética, mostrar algo novo, uma nova identidade artística.

Entretanto, suas ideias não foram aceitas e compreendidas por todos. Muitos criticavam a nova maneira de se ver a arte. Se prendiam à estéticas antigas e mais conservadoras, o que resultou em vaias e insatisfação de uma considerável parte da população para com os artistas e suas obras.

O evento marcou o início do modernismo no Brasil, pois fugia do tradicional. Na literatura, assim como nas artes em geral, houve muitas mudanças. Possibilitou uma ampliação no modo de se ver e entender a arte, trazendo tendências europeias e até mesmo de outros países.

A semana de Arte Moderna ajudou na globalização artística por assim dizer. A literatura teve mudanças drásticas, saindo totalmente do tradicional. As poesias não precisavam seguir um padrão estético, poderia cada estrofe estar organizada de uma maneira visual diferente, fugindo à regra.

As vanguardas europeias, que influenciaram de modo marcante a Semana de Arte Moderna, se fizeram presentes nas obras dos artistas. O Cubismo, levando obras de caráter geométrico, o Dadaísmo, procurando um modo mais livre de apresentar a arte, o Expressionismo levando um aspecto pessimista as obras, e assim por diante.

Contudo, as novas influencias artísticas resultaram em muitas criticas. Obras como o poema “Os sapos” de Manuel Bandeira, receberam diversas vaias e gritos de insatisfação da platéia. Obras da Anita Malfatti, influenciadas pelo cubismo, futurismo e expressionismo chocaram os espectadores, e, na abertura, Monteiro Lobato fez diversas criticas à pintora, porém, tal atitude se tornou um incentivo para a realização do evento.

Em suma, todo movimento artístico rompe com os padrões anteriores, porém, nem sempre essa ruptura é vista com bons olhos. Percebe-se então que devido a realização da Semana de Arte Moderna, a literatura e a arte conquistaram uma autonomia junto à quem a cria, sem restrições que levassem a arte a se unificar.


Poema "Os Sapos" - Manuel Bandeira:


Enfunando os papos,
Saem da penumbra,
Aos pulos, os sapos.
A luz os deslumbra.

Em ronco que aterra,
Berra o sapo-boi:
- "Meu pai foi à guerra!"
- "Não foi!" - "Foi!" - "Não foi!".

O sapo-tanoeiro,
Parnasiano aguado,
Diz: - "Meu cancioneiro
É bem martelado.

Vede como primo
Em comer os hiatos!
Que arte! E nunca rimo
Os termos cognatos.

O meu verso é bom
Frumento sem joio.
Faço rimas com
Consoantes de apoio.

Vai por cinquüenta anos
Que lhes dei a norma:
Reduzi sem danos
A fôrmas a forma.

Clame a saparia
Em críticas céticas:
Não há mais poesia,
Mas há artes poéticas..."

Urra o sapo-boi:
- "Meu pai foi rei!"- "Foi!"
- "Não foi!" - "Foi!" - "Não foi!".

Brada em um assomo
O sapo-tanoeiro:
- A grande arte é como
Lavor de joalheiro.

Ou bem de estatuário.
Tudo quanto é belo,
Tudo quanto é vário,
Canta no martelo".

Outros, sapos-pipas
(Um mal em si cabe),
Falam pelas tripas,
- "Sei!" - "Não sabe!" - "Sabe!".

Longe dessa grita,
Lá onde mais densa
A noite infinita
Veste a sombra imensa;

Lá, fugido ao mundo,
Sem glória, sem fé,
No perau profundo
E solitário, é

Que soluças tu,
Transido de frio,
Sapo-cururu
Da beira do rio...

Vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=5hOA2Fs4lwE



Análise do poema:



O Poema "Os Sapos" de Manuel Bandeira, dentro de seu contexto modernista de quebra de padrões, possui um marcante posicionamento crítico para com a poesia parnasiana. O "sapo-tanoeiro", citado no poema, faz referência aos poetas parnasianos. Além disso, o "sapo-boi", que no poema diz que seu pai foi à guerra, é, na verdade Olavo Bilac, sendo satirizado nesse contexto. A estrutura de "Os Sapos" possui diversas características essenciais do Parnasianismo, porém são usadas para enfatizar a sátira feita. Em meio a rimas cruzadas, é possível destacar a métrica regular e a sonoridade como importantes características parnasianas presentes no poema.


No modernismo, são feitos experimentos ousados no léxico, na sintaxe e na semântica, o que se pode relacionar com a experimentação estilística e técnica feita na vanguarda futurista. Esses experimentos são visíveis no poema "Os Sapos", no qual o autor mistura técnicas parnasianas para abordar uma temática crítica.




Obs: Todas as etapas do trabalho e todas as postagens foram feitas com inteira participação de todos os membros do grupo.


Grupo:

Bruna Allam - 6
Helena Costa - 20
João Pedro Ricken - 26
Luísa Elias - 32
Marcela Araújo - 34
Tatiane Farias - 43