Gabriel Salgado, Henrique Ferreira, Mariana Simões, Mayara Bispo, Noelle Marques e Tatiana Aguiar

1ª parte:História - A1
https://www.youtube.com/watch?v=ncC617clRGE&feature=youtu.be

Resumo:
As vanguardas europeias são movimentos culturais que surgiram na Europa no início do século XX, e que iniciaram um tempo de ruptura com estéticas anteriores.
Nesse período, a Europa estava em clima de contentamento diante dos progressos industriais, dos avanços tecnológicos e das descobertas científicas. Ao mesmo tempo, a disputa pelos mercados financeiros ocasionou a Primeira Guerra Mundial.

O clima era propício ao surgimento de novas concepções artísticas sobre a realidade. Surgiram, então, inúmeras tendências na arte, principalmente manifestos advindos do contraste social: de um lado a burguesia satisfeita com o avanço econômico e industrial e, de outro, os proletariados que sofriam com o desemprego, que foi intensificado após a queda da bolsa de Nova Iorque em 1929.

O Brasil, por sua vez, passou de escravocrata para mão de obra livre, da Monarquia para República. Nessa mesma época, ocorria no Brasil o tenetismo, uma rebelião de cunho político e militar, que buscava submeter a política brasileira á reformas.

A influência das vanguardas europeias chega ao Brasil no início do século XX e tem seu ápice na Semana de Arte Moderna de 1922, aonde artistas e intelectuais brasileiros, começaram o desafio de transpor tais movimentos de uma forma que chamasse a atenção do público, para alcançar seus objetivos. Começava uma busca por uma nova identidade brasileira.

Os movimentos culturais desse período, responsáveis por uma série de manifestos, são: Futurismo, Expressionismo, Cubismo, Dadaísmo e Surrealismo.


2ª parte:
Artes Visuais - A1Opção de vanguarda: Surrealismo
Fortemente influenciado pelas teorias psicanalíticas de Sigmund Freud, o Surrealismo enfatiza o papel do inconsciente na atividade criativa. Segundo os surrealistas, a arte deve se libertar das exigências da lógica e da razão e ir além da consciência cotidiana, expressando o inconsciente e os sonhos. Os surrealistas propuseram uma série de técnicas (automatismo-movimento inconsciente, associações livres, hipnoses, "colagem" etc.) destinadas a libertar o potencial imaginativo e criativo do subconsciente.
O Surrealismo teve como objetivo a renovação da humanidade, através da transformação de seus esquemas cultuais, pois segundo Breton: "o homem tem guardada em seu próprio pensamento, uma realidade desconhecida da qual depende, sem dúvida, a organização futura do mundo".
Pela sua proposta estética, o Surrealismo está próximo das vanguardas negativas, como o dadaísmo, de onde surgiu parcialmente.
Imagens:
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O Sono 1937 – Salvador Dalí

Dali representa o sono como uma cabeça que lembra um lençol, apoiada em muletas. Na obra, há representações da realidade, como a casa e o barco, que estão em um espaço indefinido. Devido á ausência de lógica, a cena remete a um sonho. A pintura retrata o Surrealismo, por transmitir uma visão para além da realidade, demonstra a imaginação do sonho e a alucinação.
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O Filho do Homem, 1964 – René Magritte
Uma das características do Surrealismo é a influência pelas teorias de Freud, que mostram a importância do inconsciente na criatividade do ser humano. Neste quadro, Magritte sugere que o que vemos esconde outro significado. Segundo ele, a mente adora imagens cujo significado é desconhecido. No quadro aparece um homem usando terno escuro, gravata e chapéu, com o rosto coberto por uma maçã verde. A maçã pode ser interpretada como o pecado e esconde o rosto do homem, sugerindo algo oculto, invisível aos olhos – aguçando nossa imaginação.
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Os Amantes, 1928 – René Magritte
A ideia principal do Surrealismo é despertar o imaginário, indo além do realismo, buscando o irracional para expressar uma verdade oculta. A cena retratada desafia o senso comum e caracteriza o amor surrealista, aquele que está somente no nosso subconsciente. Há ainda mistério na obra, uma vez que não se sabe a aparência do casal.
Cênicas - B1Opção de Vanguarda: Expressionismo
‘’A época de surgimento do expressionismo foi marcada pelo desamparo e o medo da sociedade que passara, recentemente, pelo processo de unificação da Alemanha, mas que ainda era por este motivo atrasada industrialmente.

Não só ocorriam mudanças políticas e econômicas, mas também intelectuais e culturais. O homem agora era responsável por si próprio e por seu futuro; a vida após a morte já não era certa. Foram tais incertezas que resultaram no medo, na angústia, na solidão, nos sentimentos mais sombrios que uma sociedade inteira poderia sentir.

O Expressionismo teve como herança cultural o impressionismo do século anterior. Foi um movimento de espírito e da alma. Um movimento que procurou se opor ao objetivismo naturalista, ao racionalismo capitalista burguês. O que importa é a expressão do mundo interior do artista. Ao expressionismo interessam as sensações provocadas no artista tanto por fatos internos quanto externos.

Em 1914, a Alemanha sofre com os reflexos da Primeira Guerra Mundial. A partir daí, os artistas começam a retratar mais frequentemente a situação em que a população se encontrava, o que eles viam à sua volta, as transformações ocorridas que afetavam de alguma forma as pessoas.

Pode-se dizer que o Expressionismo foi mais que uma forma de expressão, ele foi uma atitude em prol dos valores humanos num momento em que politicamente isto era o que menos interessava.

Após o fim da guerra, o expressionismo influencia a arte em outras partes do mundo, inclusive no Brasil.’’
<http://meuartigo.brasilescola.com/literatura/vanguardas-europeias-expressionismo.htm>
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Cena do filme 'O Gabinete do Dr. Caligari', Robert Wiene, 1920

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No expressionismo, o que importa é a expressão do mundo interior. Na cena do filme, o Dr. Caligari apresenta um aspecto tenebroso, furioso. Enquanto que na releitura, uma visão positiva do homem é posta em perspectiva.
Música - C1Opção de Vanguarda: Neoclassicismo
O Neoclassicismo é um estilo de música do século XX. Vem como uma reação ao romantismo tardio, que utiliza emoções bastante intensas, texturas espessas, congestionadas e da orquestra completa, sendo substituído por melodias mais suaves e claras. As orquestras tornam-se menores, com instrumentos com forte contraste de timbre, em especial sopro e percussão
É um olhar para trás da música. Recorre a elementos do passado junto com a música popular, com melodias barrocas e com características clássicas, reelaborando estilos, formas e técnicas de períodos anteriores ao romantismo. Usou-se de forma intensa a “redescoberta dos compositores neoclássicos. As formas de fuga, o concerto grosso, a tocata, a passacaglia e os artifícios do ostinato ilustram esse momento.
Contudo, não buscaram inspiração apenas no passado. Utilizaram marcas do século XX com modulações repentinas, “torções” melódicas, harmonias ousadas, politonalidade e texturas polifônicas, com estridentes dissonâncias que se opõem às linhas de contra ponto.
É em geral música absoluta, onde não há tema, contrário à música programática. Há uma grande quantidade de compositores, sendo Stravinsky o seu principal representante.
Pulcinella e A Sagração da Primavera de Stravinsky, Sinfonia Clássica de Prokofiev e Música de Concerto para Metais e Cordas de Hindemith são exemplos de obras desse estilo.

Obra 1: Pulcinellahttp://www.youtube.com/watch?v=enU9DVEgUdoCompositor: Igor StravinskyAno: 1920Instrumentação: composto para instrumentos de soproContexto e Caracteristica da Vanguarda: Nesta fase Stravinsky permaneceu em seu refúgio na Suíça, quando se dedicou particularmente à criação de uma grande e inspirada série de obras de câmara.Pulcinella nasceu não só da encomenda de Sergei Diaghilev para o seu balé russo mas foi também a realização para Stravinsky, de um antigo sonho de trabalhar com Picasso, com quem há muito se identificava esteticamente.Foi baseado em peças do barroco italiano, principalmente de Pergolesi.O balé contém oito cenas, com15 números musicais. Pulcinella tem um valor simbólico na trajetória do compositor, caracterizando o momento em que ele passa a olhar para o passado que o nortearia dali por diante

Obra 2: A Sagração da Primaverahttp://www.youtube.com/watch?v=Ag2Z7NrR0NICompositor: Igor StravinskyAno: 1913Instrumentação:*Madeiras: piccolo, 3 Flautas, Flauta alto, 4 oboé s, Corne inglês, Requinta, 3 clarinetes sopranos, clarinete baixo, 4 fagotes, e um contra-fagote*Metais: 8 trompas em F, trompete piccolo, 4 trompetes, 3 trombones, 2 tubas *Percussão: Tímpano (2 tocadores, com um mínimo de 5 tambores, incluindo um Tímpano piccolo), bumbo, pratos, Tam-Tam, Crótalos, triângulo, pandeiro, Guiro. *Cordas: violino, violas (12), violoncelo s (10), contrabaixos (8).Contexto: trouxe reflexões sobre o caminhar rítmico do século XXCaracteristicas da Vanguarda: compassos diferentes, ritmos variados e sobreposição de duas tonalidades

Obra 3: O Amor das Três Laranjashttp://www.youtube.com/watch?v=AmSY7_eN9TcCompositor: Sergei ProkofievAno: 1919Instrumentação: ricas invenções melódicas, mescla elementos de percussão e lirismo.Contexto: Com a Revolução Russa de 1917, deixa o país e passa a viver entre os Estados Unidos e a França. Fez tanto sucesso entre os americanos que resolveu completar a ópera O amor das três laranjas (1919), como um presente à América.Características das Vanguarda: reelabora o estilo utilizando de novas técnicas


3ª parte:Língua Portuguesa – B1
Noite de arte Moderna.jpgElaborada pelo pintor Di Cavalcanti, a Semana de Arte Moderna foi realizada nos dias 13, 15 e 17 de fevereiro de 1922, no Teatro Municipal de São Paulo, tendo como objetivo mostrar as novas tendências artísticas que já predominavam na Europa. A exposição não foi compreendida pela elite paulista, que era influenciada pelas formas estéticas europeias mais conservadoras.
Em um período repleto de agitações, os intelectuais brasileiros viram-se num momento em que era necessário abandonar os valores estéticos antigos, ainda muito apreciados em nosso país, para dar lugar ao novo. Um estilo de se fazer arte completamente contrário ao que se conhecia até então.
No Brasil, o descontentamento com o estilo anterior foi bem mais explorado no campo da literatura, com maior ênfase na poesia. Entre os escritores modernistas destacam-se: Oswald de Andrade, Guilherme de Almeida e Manuel Bandeira. Na pintura, destacou-se Anita Malfatti, que realizou a primeira exposição modernista brasileira em 1917. Suas obras, influenciadas pelo cubismo, expressionismo e futurismo, escandalizaram a sociedade da época. Monteiro Lobato não poupou críticas à pintora, contudo, este episódio serviu como incentivo para a realização da Semana de Arte Moderna.
Tarsila do Amaral, não estava presente na Semana de Arte, pois estava na Europa, porém teve participação importante dando suporte aos demais participantes.
A Semana de Arte foi, na verdade, a explosão de ideias inovadoras que aboliam por completo a perfeição estética tão apreciada no século XIX.
Os artistas brasileiros buscavam uma identidade própria e a liberdade de expressão; com este propósito, experimentavam diferentes caminhos sem definir nenhum padrão. Isto culminou com a incompreensão e com a insatisfação dos que foram assistir às apresentações. Logo na abertura, Manuel Bandeira, ao recitar seu poema Os sapos, foi desaprovado pela plateia através de vaias e gritos.
Embora tenha sido alvo de muitas críticas, a Semana de Arte Moderna só foi adquirir sua real importância ao inserir suas ideias ao longo do tempo. O movimento modernista continuou a expandir-se por divulgações através da Revista Antropofágica e da Revista Klaxon, e também pelos seguintes movimentos: Movimento Pau-Brasil, Grupo da Anta, Verde-Amarelismo e pelo Movimento Antropofágico.
'’Se a Semana é realizada por jovens inexperientes, sob o domínio de doutrinas européias nem sempre bem assimiladas, conforme acentuam alguns críticos, ela significa também o atestado de óbito da arte dominante. O academicismo plástico, o romantismo musical e o parnasianismo literário esboroam-se por inteiro. Ela cumpre assim a função de qualquer vanguarda: exterminar o passado e limpar o terreno.
Mário de Andrade dirá mais tarde que faltou aos modernistas de 22 um maior empenho social, uma maior impregnação "com a angústia do tempo". Com efeito, os autores que organizaram a Semana colocaram a renovação estética acima de outras preocupações importantes. As questões da arte são sempre remetidas para a esfera técnica e para os problemas da linguagem e da expressão. O principal inimigo eram as formas artísticas do passado. De qualquer maneira, a rebelião modernista destrói o imobilismo cultural - que entravava as criações mais revolucionárias e complexas - e instaura o império da experimentação, algo de indispensável para a fundação de uma arte verdadeiramente nacional.
Caberia ainda ao próprio Mário de Andrade - verdadeiro líder e principal teórico do movimento - sintetizar a herança de 1922:

  • A estabilização de uma consciência criadora nacional, preocupada em expressar a realidade brasileira.
  • A atualização intelectual com as vanguardas europeias.
  • O direito permanente de pesquisa e criação estética. ’’
<http://educaterra.terra.com.br/literatura/modernismo/modernismo_18.htm>
Todo novo movimento artístico é uma ruptura com os padrões utilizados pelo anterior, isto vale para todas as formas de expressões, sejam elas através da pintura, literatura, escultura, poesia, etc. Ocorre que nem sempre o novo é bem aceito, isto foi bastante evidente no caso do Modernismo, que a principio, chocou por fugir completamente da estética europeia tradicional que influenciava os artistas brasileiros.

Poética - Manuel Bandeira
Declamação do poema "Poética", de Manuel Bandeira


Análise do poema:
O poema ‘’Poética’’ é modernista por possuir em sua estrutura poética versos livres, imagens que negam os valores ultrapassados das estéticas anteriores e supressão da pontuação,. Essas características traduzem a liberdade de forma, que era defendida pelos modernistas.

Na introdução do poema, Manuel Bandeira deixa clara a temática contestatória de ‘’Poética’’, principalmente quando repete várias vezes que está farto do tipo de lírica utilizada.

As referências ao “lirismo comedido e bem comportado”, “lirismo que para e vai averiguar no dicionário o cunho vernáculo de um vocábulo” e “abaixo os puristas” manifestam a desaprovação do poeta aos valores estéticos formais de composição, típicos do parnasianismo, aonde a rigidez controla a criação poética. Quando Bandeira escreve ‘’Quero antes o lirismo dos loucos’’, ele faz referência à impulsão lírica, à liberdade que deve ser dada ao poeta.
Essa liberdade proposta no poema é inspirada na estética modernista que quer romper com o antigo, com o velho. Quer renovar e mostrar o novo modo de fazer poesia, "dos bêbados" e dos clowns de Shakespeare. Manuel Bandeira faz uma metalinguagem ao dizer o novo jeito de fazer poesia dentro de um poema, já adequado aos novos padrões de ruptura com o parnasianismo. Ao vermos seus versos livre, e nenhuma preocupação com a métrica e as linhas, é perceptível a transformação que ele quer provocar na literatura brasileira.

O poema possui influências da vanguarda futurista, percebida na insatisfação e critica do autor ao presente e pela falta de pontuação e da vanguarda expressionista pelo pessimismo e pelo desejo de mudança expressado no poema. Vanguardas estas que influenciam o autor a mudar, a romper com a narrativa burguesa do Romantismo, e do "lirismo bem comportado" do Parnasianismo. Manuel levanta a bandeira da liberdade; de expressão, de criação, e de um novo modo de se fazer poesia.