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O Brasil da década de 20 estava passando por um momento de grandes transformações, levando em conta que a maior parte da população estava insatisfeita com a política implantada na época. O ano de 1922 foi muito importante para o país, quando instalou-se o modernismo e o famoso movimento tenentista.
Em 1921, o jornal carioca Correio da Manhã publicou uma matéria apresentando cartas supostamente feitas pelo candidato à presidência, Arthur Bernardes, que condenava os militares, chamando-os de “venais” e também insultando o presidente do clube militar e ex-presidente da república, Hermes da Fonseca, de “sargentão sem compostura”. Arthur Bernardes negou a autoria das cartas, que realmente eram falsas, mas os militares não ficaram satisfeitos e exigiram que este retirasse sua candidatura, o que não aconteceu. Bernardes ganhou as eleições daquele ano.
O clima de tensão entre o governo e os militares só aumentava, até que em 5 de julho de 1922, um levante no Forte de Copacabana que iniciou com vários adeptos militares resultou na saída de 17 soldados às ruas a fim de reivindicar seus direitos, tirar o poder das elites tradicionais e depor o presidente Arthur Bernardes. Ganharam também a adesão do civil Otávio Correia. O governo reagiu mandando tropas que mataram 16 dos participantes da Revolta do Forte de Copacabana, sobrando apenas dois dos militares. Esse fato em si não gerou nenhuma mudança na política da época, mas serviu de inspiração para todos os outros movimentos que se sucederam, como: Coluna Prestes (RS), Coluna Miguel Costa (SP) e a criação do partido comunista brasileiro.

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A Coluna Miguel Costa, formou-se no dia 5 de julho de 1924 e foi um movimento militar mais organizado, que saiu de São Paulo e caminhou rumo a Foz do Iguaçu, disseminando o novo modelo de governos idealizado por militares. Essa atitude tinha como objetivo fazer com que o povo que não morava nos grandes centros urbanos fosse informado sobre os acontecimentos políticos do país, além de fazer propaganda do novo governo pretendido para o Brasil.

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A Coluna Prestes foi mais importante, pois foi a união da Coluna Miguel Costa e da Coluna Luís Carlos Prestes, que vigorava anteriormente no sul do país. Era composta por cerca de 1500 pessoas, que saíram pelo interior do Brasil, andando aproximadamente 24.000 KM, com o objetivo de disseminar, de uma vez por todas, a opinião dos militares por todo o país e, assim, ganhar mais força.

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Enquanto isso, no cenário internacional, o comunismo vinha ganhando mais destaque. Teve início com a Revolução Russa, em 1917, e se concretizou no ano de 1922, com a criação oficial de uma nova e grande potência mundial, a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Luís Carlos Prestes, homem que deu nome à Coluna Prestes, após o fim da Grande Marcha, se refugiou na Bolívia, onde teve seu primeiro contado com o socialismo. Depois de um tempo, Prestes saiu da América do Sul e foi para a Europa, onde aprofundou ainda mais seus conhecimentos sobre o comunismo. Assim, voltou para o Brasil com o objetivo de implantar no país o mesmo sistema que era adotado na URSS. Porém, esse novo modelo político e econômico não foi bem recebido pelos brasileiros.
Em 1930, aconteceram novas eleições no Brasil. A disputa foi entre o paulista Júlio Prestes, representando as poderosas oligarquias que adotavam o voto de cabresto e o curral eleitoral, por exemplo, além de ser o candidato indicado pelo presidente Washington Luís; e Getúlio Vargas, que pretendia revolucionar a política nacional, começando com a retirada das oligarquias tradicionais do poder. Getúlio propôs o voto secreto, o incentivo a indústria nacional, além da anistia irrestrita aos tenentes, o que atrairia o apoio dos militares. Vargas tinha a seu favor a maior parte da população, que já estava insatisfeita com as políticas adotadas na época. Além do apoio de alguns paulistas revolucionários e dos mineiros, traídos pelos paulistas quando o nome de Júlio Prestes fora o indicado para a sucessão do poder pelo então presidente Washington Luís, um paulista. Isso porque, de acordo com a política do Café com Leite, nesta eleição o nome indicado deveria ser de um representante de oligarquia mineira.
Durante a campanha, houve a quebra da Bolsa de Nova York, que afetou diretamente o Brasil. Os mais afetados foram os cafeicultores, que pediram ao então presidente Washington Luís para os socorrer, como já havia acontecido diversas vezes com outros presidentes. A população ficou ainda mais indignada com a situação política e, assim, Getúlio Vargas ganhava cada vez mais popularidade. Ao final da eleição veio a surpresa de que o ganhador tinha sido Júlio Prestes, ou seja, mais uma vez a eleição havia sido forjada pelas oligarquias. O clima de tensão e insatisfação era muito grande e o assassinato do candidato a vice presidência de Vargas, João Pessoa, serviu apenas para abrir ainda mais espaço, principalmente para a impressa, para a tomada do poder pelas Forças Armadas (Exército e Marinha).
Aproveitando da comoção nacional causada pelo crime, Vargas uniu-se a tropas a fim de conquistar a presidência do Brasil a força. Mas, antes que ele o fizesse, os generais Tasso Gragoso, Mena Barreto e o Almirante Isaías Noronha tomaram o poder e, dias depois, o entregaram a Vargas. Então, no ano de 1930, começa Era Vargas, que dura até 1954.

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O fauvismo foi um movimento artístico do começo do século XX. Teve início em 1901, mas foi no Salão de Outono de 1905 que alguns jovens pintores expuseram ao público a nova estética. A crítica dividiu-se: enquanto alguns exaltavam a pintura de Matisse e dos demais pintores como uma arte inovadora, “pura” e autônoma, outros criticavam o infantilismo, superficialidade dos temas e a aparência tosca e aparentemente inacabada das obras. Tais pintores foram chamados de feras –fauves – pelo crítico conservador francês Louis Vauxcelles, e o nome “fauvismo” passou a identificar esta tendência estética. A nomenclatura referia-se, provavelmente, a ferocidade com que os artistas empregavam as cores, ou ao abandono das regras tradicionais – civilizadas – de pintura, característica típica das vanguardas modernas: a negação ao passado.



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O grupo fauvista defendia que um quadro, antes de ser a realidade retratada, era ele próprio uma realidade. Henri Matisse defendia que em seu quadro, “Retrato de Madame Matisse”, não temos uma mulher, mas uma pintura, que segue suas próprias regras pictóricas, conforme a sensibilidade do artista. Acreditavam que a obra é autônoma, não necessitando imitar a aparência visual da realidade.Para os fauvistas, as linhas deveriam brotar impulsivamente. As formas eram simplificadas, buscando o primitivismo e a bidimensionalidade; e a modelagem do rosto de Madame Matisse, por exemplo, é bastante rudimentar, refletindo a busca pela construção de formatos planos, grandes, simples e com traços largos a realidade.
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Os fauvistas recusavam as regras tradicionais de pintura. Pretendiam pintar no estado de graça de uma criança ou de um selvagem, traduzindo sensações elementares. Para eles, as regras acadêmicas limitavam a criatividade e diluíam a personalidade do artista. Desta forma, o preto, banido pelos impressionistas, voltou a ser utilizado, e alguns espaços chegam a ficar em branco nas telas, como é visto no quadro de Andre Derain, “Ponte de Charing Cross”. No fauvismo, as sugestões de espaço e volume são dadas pela oposição de tons frios e quentes, como na oposição do céu vermelho e os prédios azul e verde, na tela de Derain. .



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As cores intensas – verde, amarelo, azul e vermelho, por exemplo – e puras – sem mesclas e sem meios tons – retratavam, para os “fauves”, as sensações primárias e vitais do artista. Desta forma, artistas, como Maurice Vlaminck, frequentemente espremiam o tubo de tinta diretamente nas telas e, através de pinceladas violentas, criavam contrastes ou harmonias de coloridos inexistentes na natureza, conforme as necessidades de sua sensibilidade.
Ao eleger a cor como elemento de maior expressividade, o grupo fauvista deixa o desenho e as formas – associadas ao intelectual – em segundo plano. Deste modo, muitos quadros dessa estética modernista possuem formas e perspectivas distorcidas, como é observado em “O Circo” de Maurice Vlaminck.


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Todos os elementos eram dispostos na superfície do quadro, vibrando com os tons puros, sem ilusão de profundidade. As cores, manipuladas longe de preocupações com a verossimilhança, davam origem a superfícies planas, sem claros-escuros ilusionistas, como é visto pela continuidade da superfície vermelha no quadro de Matisse, “Interior Vermelho”.
O impacto visual e a harmonia da obra, além de sua própria expressividade, eram mais importantes do que o naturalismo. Sendo assim, é possível a alternância arbitraria dos planos, como é visto em “Interior Vermelho”, de Henri Matisse: a mesa, por exemplo, é vista de cima, enquanto o vaso é visto ao nível dos olhos.








Para os “fauves”, a pintura não possuía qualquer compromisso social e político, retratando temas leves, sem reflexão crítica. Repudiava-se o subjetivismo e os temas considerados perturbadores ou deprimentes. Pintava-se retratos e nus, em interiores ou ao ar livre. Nas paisagens, o local não precisava ser reconhecível, servindo como um pretexto decorativo.
No fauvismo, o ato de criação nada tem a ver com o intelecto ou com os sentimentos, mas com impulsos instintivos, sentimentos vitais. Valorizava-se uma abordagem direta e espontânea da vida e da sexualidade, como retrato em “Nu Azul”, de Matisse.

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Releitura da capa do clássico expressionista alemão: O Gabinete do Doutor Caligari.10153108_616745195067260_8662829877739163590_n.jpg10154472_866056103421096_8931168932836677008_n.jpg


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Surgido no século XIX, o Impressionismo teve como principais representantes na música os compositores Claude Debussy e Maurice Ravel. Estes se inspiraram no conceito da arte impressionista – na pintura – e, seguindo certa influência simbolista, buscavam descrever imagens, procurando dar uma impressão do que é descrito, o que faz com que muitas obras de Debussy tenham nomes de paisagens.
A música impressionista surge como resposta ao pesado estilo romântico alemão. Do mesmo modo que os pintores impressionistas lidavam com luzes e cores, Debussy trabalhava com harmonias e timbres instrumentais. A novidade que tornava a música impressionista, uma vanguarda, era exatamente a sustentação a partir de escalas modais (recombinações de conjuntos de notas escolhidas), dando a música o efeito de algo vago e fluídico. Isso acaba se tornando a base das melodias impressionistas, que também foram muito influenciadas por técnicas orientais, principalmente a indiana, pela música popular europeia e por elementos medievais.



"Clair de lune" (Luar)



Clair de lune(Luar) é uma obra musical do compositor Claude Debussy, parte da “Suite Bergamasque”. Esta suíte foi escrita exclusivamente para piano a quatro mãos, em 1903, e dividida em quatro movimentos (Prélude, Menuet, Clair de lune e Passepied). O terceiro movimento é o mais conhecido, sendo comum em filmes e programas de televisão. A principal característica dessa obra que a identifica como impressionista é o ritmo que em muito se assemelha à música indiana, sendo quase imitada nos primeiros compassos. Porém, mesmo sendo uma música moderna, a suíte como um todo não é marcada em compassos claramente fortes e fracos, mas composta com uma sutileza nitidamente conservadora vinda da antiga música francesa.

"Prélude à l'après-midi d'unFaune" (Prelúdio à Tarde de um Fauno)



“Prélude à l'après-midi d'unFaune” (Prelúdio à Tarde de um Fauno) é uma obra composta em 1894 pelo músico francês Claude Debussy, baseada em um poema de Stéphane Mallarmé. O poema conta a história de um fauno que toca sua flauta nos bosques e fica excitado com a passagem de ninfas e náiades, tentando alcançá-las. Então, muito cansado e fraco, cai em um sono profundo e passa a sonhar com visões onde atingia os objetivos que na realidade não conseguiu alcançar. Alguns críticos consideram a apresentação de Debussy um marco na música moderna. É uma obra considerada uma obra prima da música impressionista.
Debussy procurou representar "a impressão geral do poema" ilustrada por instrumentos que realçam e explicitam as emoções e as impressões das passagens destacadas. Segundo o compositor "[...] são na verdade sucessivos cenários por onde se movem os desejos e os sonhos do fauno no calor da tarde". Debussy deu à peça o nome de "Prelúdio" porque tencionava escrever uma suíte (prelúdio, interlúdio e paráfrase final), mas não fez isso, ficando só a primeira parte.
A obra costuma ser tocada por uma orquestra formada por três flautas, dois oboés, um corne-inglês, dois clarinetes, dois fagotes, quatro cornetas de pistão, duas harpas, e instrumentos de cordas (violinos, violas, violoncelos, contrabaixos).


“La Mer” (O Mar)


“La Mer” (O Mar) é uma composição orquestral de 1903 em que Claude Debussy expressa todo o seu amor pelo mar, que combina orquestração incomum com harmonias impressionistas ousadas.
“La Mer”, apesar de difícil compreensão, demonstra sensações diversas causadas pela orquestração do autor e pela beleza conseguida através do uso dramático dos timbres. Alguns críticos afirmam que a música os remete a perturbações ocasionadas por um dia de observação do mar: brisas, maresias, vento, pássaros, ondas e o sol, já que o compositor faz uso de dispositivos descritivos para sugerir as sensações que o mar lhe causa. Além disso, a estruturação de uma peça em torno de um tema natureza, sem qualquer elemento literário ou humano para isso – nem pessoas, nem mitologia, nem navios são sugeridas na peça – era bastante incomum para a época.
Debussy chamou seu trabalho de “três esboços sinfônicos”, evitando o nome “sinfonia”. Com a atribuição da estética impressionista, foi perceptível que a forma mais tradicional da orquestra ainda era adotada, sendo assim não houve uma mudança na grandiosidade do Romantismo, sendo usados instrumentos como flautim, contra fagote, quatro trompas, dois trompetes, três trombones, uma tuba, cordas (incluindo por vezes a harpa), prato, triângulo, bumbo, caixa clara e tímpanos. Desta forma, em geral o número dos músicos na orquestra variam de 80 a 90.
"La Mer" é dividido em três movimentos :

  1. "De l' Aube à midi sur la mer" (Do amanhecer ao meio-dia, no mar);
  2. "Jeux de vagues" (Jogo das ondas);
  3. "Dialogue du vent et de la mer" (Diálogo do vento e do mar) .

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A Semana de Arte Moderna de 1992 foi um evento com o objetivo de introduzir uma nova estética artística à cultura brasileira: o Modernismo. Fora planejada para durar uma semana, porém acabou após o seu terceiro dia, pois os artistas tinham medo de estragar por excesso o êxito atingido. O Brasil foi o primeiro e único lugar no mundo a ter uma data definida e planejada para a substituição de uma escola artística antiga por uma nova. Isso ocorreu porque, por detrás da mudança nas artes, havia um viés social: a implantação do modernismo visava conscientizar a população em geral da realidade brasileira, já que seus representantes brasileiros se opunham à política totalitária da época bem como à contradição social entre os proletários e imigrantes e as oligarquias rurais.
Sua importância para a arte brasileira foi mais de destituição das antigas regras, do erudito, que de criação de uma nova arte em essência, com regras definidas e fixas. Pregava que a arte não deveria ter regras, mas sim que deveria seguir os sentimentos e a vontade do artista. Tinha, inclusive, uma influência futurista quando buscava evidenciar uma sociedade movida pela eletricidade, pelas máquinas e pelas novas tecnologias. Mário de Andrade chama a primeira fase do Modernismo de “fase da destruição”, por ser totalmente contraditória ao parnasianismo ou o simbolismo das décadas precedentes. Os artistas passam a buscar temas de origem brasileira, daí o nacionalismo e a valorização do índio nativo.
Quanto à literatura, houve uma forte busca pela identidade nacional, através da elaboração de uma nova poética baseada na liberdade: uso de versos livres e brancos, sem obedecer obrigatoriamente a gramática normativa, emprego de coloquialismo e oralidade e temática cotidiana simples e popular. As realidades indígena e negra foram muito valorizadas e retratadas, sendo elementos, como danças, músicas, histórias folclóricas e lendas, formas de inspiração para a elaboração literária. Os principais escritores dessa fase foram: Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Manuel Bandeira e Antônio de Alcântara Machado.
A literatura da primeira fase modernista foi marcada pelos seguintes manifestos:
  • Manifesto Pau-Brasil: escrito por Oswald de Andrade, publicado pelo jornal Correio da Manhã em março de 1924. Apresentava como proposta literária a realidade brasileira e as características culturais do povo brasileiro, com a intenção de provocar um sentimento nacionalista e a retomada da consciência pátria.
  • Verde-Amarelismo: surgiu como resposta ao “nacionalismo afrancesado” do Pau-Brasil, representado principalmente por Oswald de Andrade e liderado por Plínio Salgado, em 1926. Seu principal objetivo era propor um nacionalismo puro, primitivo, sem qualquer tipo de influência exterior.
  • Anta: parte do movimento Verde-Amarelismo. Além do que já era proposto por este, elege como símbolo nacional a anta e vangloria a língua indígena tupi.
  • Antropofagia: publicado entre 1928 e 1929, representado por Antônio de Alcântara Machado. Surge como uma nova etapa para o nacionalismo Pau-Brasil, em resposta ao Verde-Amarelismo. Sua origem vem de uma tela feita por Tarsila do Amaral em 1928, intitulada Abaporu (comedor de homem), sendo assinado por Oswald de Andrade. Tinha, como diz Antônio Cândido, “uma atitude brasileira de devoração ritual dos valores europeus, a fim de superar a civilização patriarcal e capitalista, com suas normas rígidas no plano social e os seus recalques impostos, no plano psicológico”. Ou seja, pretendia absorver os valores europeus e transformá-los de forma que encaixassem na realidade brasileira.

TREM DE FERRO


Café com pãoCafé com pãoCafé com pão
Virge Maria que foi isso maquinista?
Agora simCafé com pão
Agora sim
Voa, fumaçaCorre, cercaAi seu foguistaBota fogoNa fornalhaQue eu precisoMuita forçaMuita forçaMuita força(trem de ferro, trem de ferro)
Oô...Foge, bichoFoge, povoPassa pontePassa postePassa pastoPassa boiPassa boiadaPassa galhoDa ingazeiraDebruçadaNo riachoQue vontadeDe cantar!Oô...(café com pão é muito bom)
Quando me prenderoNo canaviáCada pé de canaEra um oficiáOô...Menina bonitaDo vestido verdeMe dá tua bocaPra matar minha sedeOô...Vou mimbora vou mimboraNão gosto daquiNasci no sertãoSou de OuricuriOô...
Vou depressaVou correndoVou na todaQue só levoPouca gentePouca gentePouca gente...(trem de ferro, trem de ferro)
(Manuel Bandeira)








ANÁLISE DO POEMA


Manuel Bandeira, um dos mais importantes poetas da geração de 22 da literatura modernista, era um grande conhecedor da literatura. Por isso, conseguia misturar grandes doses de simplicidade e lirismo em suas obras e utilizar formas inovadoras de modo a explorar recursos que evidenciam sua originalidade na composição de um poema.
O poema abordado, Trem de Ferro, escrito na década de 30, permite a identificação de algumas características marcantes de Manuel Bandeira, como a abordagem da cultura popular e oral. Apesar de poder ser compreendido por uma criança, por ter uma linguagem simples, o poema não parece ter sido escrito apenas para o público infantil por instigar o leitor a encontrar sua criança interior, fazendo-o sentir em uma viagem de trem.
É importante ressaltar que, no período em que o poema foi escrito, o trem era um meio de transporte e de comunicação essencial para a economia ainda agrícola do país. Desta forma, era comum pessoas se aglomerarem para ver a chegada do trem.
No poema em questão, Manuel cria imagens que remetem aos sons produzidos pelo movimento do trem. Com liberdade métrica, ele não segue as regras tradicionais, trazendo uma reprodução alegórica do ritmo do trem em diferentes velocidades. Os três primeiros versos pressupõem uma velocidade linear, correspondente ao início da viagem. Além disso, o fato de café e pão serem alimentos comuns do café da manhã pode ser um indicativo de que o autor se inspira no início do dia e da viagem, afinal era no amanhecer que muitas viagens de trem começavam.
Posteriormente, vemos o verso “Muita força” (repetido três vezes) que sugere uma velocidade maior que nos versos do início. Pode-se afirmar, ainda, que sinaliza uma aceleração progressiva, já que muita força implica potência e aumento na velocidade do trem. Também são destacados, nessa parte, os elementos constituintes da paisagem que pode ser vista pelos passageiros do trem, seguido de um momento de alegria e empolgação para o eu lírico demonstrado nos versos “Que vontade/ De cantar”.
Logo em seguida, é importante observar a aproximação dos temas do poema com assuntos das cantigas populares e orais – o árduo trabalho no campo – associada à linguagem coloquial – como nos vocábulos “prendero”, “canaviá” e “mimbora”, por exemplo – mostra uma literatura que valoriza as culturas orais – regional e nacional.
O término do poema traz um ar melancólico por fazer menção à saudade do eu lírico de sua terra e os versos “Pouca gente” indicam uma diminuição na velocidade do trem. Por fim, observa-se, também, que esses últimos versos remetem à ideia de que o trem é de carga, levando poucos passageiros, já que a economia era fortemente ligada à agricultura.