Ana Valente - n° 2
Felipe Farias - n° 11
Gabriela Sabadini - n° 15
Isadora Almeida - n°19
Luísa Moretti - n° 26
Marina Rodrigues - n° 33

1° Parte:

O contexto histórico da Europa e do Brasil à época do surgimento do Modernismo (Vanguardas e Semana de Arte Moderna) – História A1


a)

b) O Brasil, assim como o resto do mundo ocidental, passava por grandes mudanças a partir do advento do século XX. A aversão às tradições, manifestações populares, os métodos da oligarquia para se manter no poder, a nascente industrialização do país e a entrada maciça de imigrantes são relacionados aos grandes fatos da história mundial, como os conflitos que culminaram na I Grande Guerra e a ascenção do totalitarismo.


2°Parte: Artes Visuais (A1)


Fauvismo:

Iniciado em 1901 pelo francês Henri Matisse, o fauvismo foi um movimento artístico do começo do século XX. A palavra tem origem no vocábulo francês fauves que significa feras. Seguiu o expressionismo, tendo como característica a máxima expressão pictórica, onde as cores são utilizadas com intensidade, além de outras, como a simplificação das formas, o estudo das cores. Os seus temas eram leves, revelando emoções e sentimentos de viver.


Principais características da corrente:
- Base primitivista (simplicidade e ausência de algumas virtudes encontradas na arte erudita)
- Uso de cores intensas (roxo, verde, amarelo, azul e vermelho)
- Busca de estabelecer harmonia, tranquilidade, pureza e equilíbrio nas obras de arte.
- Uso de formatos planos, grandes, simples e com traços largos;
- Intenção de demonstrar sentimentos nas obras;
- Temas preferidos: cenas urbanas e rurais, retratos, ambientes internos, nus e cenas ao ar livre.


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Dança (II), Henri Matisse
- Nessa obra podemos observar cores intensas, harmonia e simplicidade que eram pregadas pelo Fauvismo.

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The River Seine at Chatou, Maurice de Vlaminck
- O tema dessa obra é tipicamente fauvista: retrata uma paisagem em um clima tranquilo. A cor azul (predominante no quadro) favorece para esse sentimento de tranquilidade da obra.

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Te aa no areois, Paul Gauguin
- A ausência de detalhes realistas é uma técnica comum no Fauvismo e é utilizada nesse quadro. Percebe-se também um ar primitivista na obra pelo fato de a mulher estar nua e em um ambiente natural. Lembrando que Paul Gauguin foi um artista pós-impressionista que influenciou fortemente o movimento Fauvista.

B1 - Artes Cênicas (Futurismo):
O movimento cênico é característico do Futurismo e das peças de Marinetti. O vídeo abaixo de estilo "stop motion", usando fotos capturadas e som, representa o teatro futurista sintético de Marinetti, mais especificamente a peça em que apareciam apenas os pés dos atores em movimento durante pouco tempo de apresentação.
Vídeo:Música: Macchina Tipografica, Luigi Russolo



C1-Música (Neoclassicismo):
Música 1: Sinfonia dos Salmos (Igor Stravinsky)

Análise:A Sinfonia dos Salmos foi composta em um período entre as duas guerras mundiais (1930) por Igor Stravinsky e pertence ao período neoclássico da música. É uma música com expressões rígidas que representam a angústia espiritual com o forte avanço tecnológico que ocorria na época. O primeiro movimento trata-se de um prelúdio, o segundo movimento é uma fuga em homenagem ao compositor barroco J.S. Bach e o terceiro movimento é chamado de "Allegro Symphonique". O uso predominante de instrumentos metálicos dão à música um ar frio e as modulações repentinas e súbitas torções das melodias dão um toque de música moderna do século XX.
Música 2: Concert Champêtre (Francis Poulenc)

Análise:A música foi composta em 1927/1928 por Fracis Poulenc e foi dedicada ao pintor Richard Chainlaire (seu namorado). Poulenc foi um dos primeiros artistas abertamente gays e vivia em confusão entre a sua religião e sua sexualidade. O Concert de champêtre exibe características contrárias ao Romantismo, tendo uma orquestra simples e reduzida e se dá pela alternância entre metais e cravo (instrumento tipicamente barroco), nas partes com ênfase dramática os instrumentos de corda entram. O compasso da música se altera em vários momentos, tornando-a instável e ousada.
Música 3: Bachiana brasileira número 3 (Heitor Villa-Lobos)

Análise:A música foi composta em 1934 para piano e orquestra e foi estreada em 1947 tendo como regente o próprio Villa-Lobos. A obra é dividida em 4 movimentos: o primeiro é um Prelúdio (Ponteio) com andamento musical lento, o segundo é uma Fantasia (Devaneio) e tem o andamento musical livre e rápido (Allegro moderato), o terceiro é uma Ária (Modinha) com a instrumentação grave e lenta (Largo) e o quarto é uma Toccata (Picapau) com andamento leve e ligeiro (Allegro). A música neoclássica brasileira é mais dramática do que a música neoclássica de outros países, se destacando no cenário internacional da época.

Parte 3: Língua Portuguesa (B1)


A Semana de Arte Moderna foi um evento que objetivava expor novas tendências artísticas que já estavam em vigor na Europa. A elite paulista a princípio demonstrou desaprovação pois ela estava fortemente influenciada com as tendências artísticas mais tradicionais e conservadoras.
Esse evento contribuiu intensamente para uma ruptura com o passado, em um Brasil com muitas agitações. Ninguém sabia qual rumo tomar ao aderir ou não a essas inovações. O descontentamento da elite era maior especialmente no campo da literatura (poesia). Diversas vanguardas europeias influenciaram fortemente a produção das obras deste período, como: Cubismo, Futurismo, Expressionismo, entre outras, chocando a sociedade da época. Com o tempo, o Modernismo foi tomando sua real importância e se espalhando pelo Brasil.
Na SAM, Os Sapos, poema de Manuel Bandeira, que não compareceu ao evento, seria declamado por Ronald de Carvalho, em meio às vaias da platéia. Ao ridicularizar os parnasianos por seu apego à métrica, Os Sapos representou uma espécie de declaração de princípios dos modernistas. A partir de então, estavam liberados os versos sem rima. Tiraram, enfim, os grilhões da poesia.

Fonte: http://socialistamorena.cartacapital.com.br/tag/semana-de-arte-moderna/




Os Sapos (Manuel Bandeira)

Enfunando os papos,
Saem da penumbra,
Aos pulos, os sapos.
A luz os deslumbra.

Em ronco que aterra,
Berra o sapo-boi:
- "Meu pai foi à guerra!"
- "Não foi!" - "Foi!" - "Não foi!".

O sapo-tanoeiro,
Parnasiano aguado,
Diz: - "Meu cancioneiro
É bem martelado.

Vede como primo
Em comer os hiatos!
Que arte! E nunca rimo
Os termos cognatos.

O meu verso é bom
Frumento sem joio.
Faço rimas com
Consoantes de apoio.

Vai por cinquüenta anos
Que lhes dei a norma:
Reduzi sem danos
A fôrmas a forma.

Clame a saparia
Em críticas céticas:
Não há mais poesia,
Mas há artes poéticas..."

Urra o sapo-boi:
- "Meu pai foi rei!"- "Foi!"
- "Não foi!" - "Foi!" - "Não foi!".

Brada em um assomo
O sapo-tanoeiro:
- A grande arte é como
Lavor de joalheiro.

Ou bem de estatuário.
Tudo quanto é belo,
Tudo quanto é vário,
Canta no martelo".

Outros, sapos-pipas
(Um mal em si cabe),
Falam pelas tripas,
- "Sei!" - "Não sabe!" - "Sabe!".

Longe dessa grita,
Lá onde mais densa
A noite infinita
Veste a sombra imensa;

Lá, fugido ao mundo,
Sem glória, sem fé,
No perau profundo
E solitário, é

Que soluças tu,
Transido de frio,
Sapo-cururu
Da beira do rio...



Análise do poema:

O texto inicia-se com uma referência do poeta à vaidade dos parnasianos quando cita a palavra “enfunando” que tem o mesmo sentido de “encher-se”, “inflar-se”, no entanto, neste texto o significado mais cabível seria o “enfunar-se” de orgulho, de vaidade.
Ao longo do poema, o eu-lírico constrói a crítica ao parnasiano e a sua estética,

” Diz: – Meu cancioneiro

É bem martelado. “
E ironiza o modo perfeito de se fazer arte.

“Vede como primo

Em comer os hiatos!

Que arte! E nunca rimo

Os termos cognatos.”


No trecho acima o poeta faz um zombaria com o primor que os parnasianos têm em compor rimas, inclusive, em rimar termos cognatos, ou seja, termos que possuem a mesma classe gramatical já que para o parnasiano rimar termos cognatos não é sinônimo de sofisticação, pois as rimas não são consideradas ricas.

Além de ressaltar a estética parnasiana de forma sarcástica,

“Vai por cinqüenta anos

Que lhes dei a norma:

Reduzi sem danos

A fôrmas a forma.”


Manuel Bandeira também faz uma alusão irônica aos poemas que valorizam a descrição dos objetos e da escultura clássica.
Brada em um assomo

O sapo-tanoeiro:

- A grande arte é como

Lavor de joalheiro.
Ou bem de estatuário.

Tudo quanto é belo,
Tudo quanto é vário,

Canta no martelo”.
Exemplos de poesia parnasianas que mantêm esta valorização dos objetos clássicos são “Profissão de fé”, de Olavo Bilac e “Vaso Grego”, de Alberto Oliveira. Seguem alguns trechos:
(…)
“Invejo o ourives quando escrevo:

Imito o amor

Com que ele, em ouro, o alto relevo

Faz de uma flor.”
(“Profissão de fé“)
(…)


“Esta, de áureos relevos, trabalhada





De divas mãos, brilhante copa, um dia,





Já de os deuses servir como cansada,





Vinda do Olimpo, a um novo deus servia.”


(…)


(“Vaso Grego”)


Além do conteúdo temático, o poeta faz algumas construções estruturais que dão sentido ao tema. Uma destas construções é o uso de aliterações em “p” e “b” e as assonâncias em “u” e “a” que remetem o som do pulo dos sapos, assim como, o jogo de palavras em ” Não foi! – Foi! – Não foi!” que faz analogia ao coaxar dos sapos.


Entretanto, o poeta moderno não utiliza a forma como meio de compor o tema, mas também, como forma de compor a ironia temática presente no texto. Por exemplo, a composição de todos os versos com a mesma métrica (cinco sílabas) faz parte da proposta parnasiana. No entanto, o poema é criado em redondilhas menores, isto é, a forma mais simples de se compor as sílabas poéticas, o que para os parnasianos é inaceitável, já que eles louvavam a sofisticação e não a simplicidade.


Outro aspecto estrutural que zomba dos aspectos requintados da escola parnasiana é uso das quadras ou quartetos, formas consideradas populares, contrastando, desse modo, com as formas sofisticadas, tais como, o soneto que é muito prezado no parnasianismo.


Esta popularidade da quadra se torna mais evidente na última estrofe cujos últimos versos fazem alusão a uma cantiga popular brasileira.
“ Que soluças tu,

Transido de frio,

Sapo-cururu

Da beira do rio…”
Logo, o poema “Os sapos” faz uma crítica contundente ao parnasianismo de modo irônico e sarcástico, valendo-se do tema e da própria forma poética na construção poética.