Grupo 4_H
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1ª parte - História
https://www.youtube.com/watch?v=3gtXf706DfE&feature=youtu.be

Os movimentos de vanguarda emergiram na Europa nas duas primeiras décadas do século 20 e provocaram ruptura com a tradição cultural do século 19. Suas cinco principais correntes foram o Futurismo, o Expressionismo, o Cubismo e o Dadaísmo. As vanguardas foram extremamente radicais e influenciaram de forma significativa os intelectuais brasileiros, principalmente aqueles que mantinham contato direto com essas vanguardas, quando viajavam para o velho continente.
Os intelectuais brasileiros que mais tinham contato com as ideias vanguardistas eram Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Menotti Del Picchia, Villa-Lobos, Di Cavalcanti, Anita Malfatti e Tarsila do Amaral. Juntos e possuídos de muita coragem, criaram a Semana de Arte Moderna, cujo objetivo era romper com o tradicional, chocar e colocar a arte brasileira no mesmo da patamar da arte europeia.
Devido a Primeira Guerra Mundial, a Europa se encontrava em um clima tenso e propício ao surgimento de novas concepções artísticas já que a tensão emocional falava mais alto e determinava o tipo de criação artística e literária. Esses artistas viviam de forma única o surgimento do mundo moderno e a criação, totalmente livre, de cada modo de expressão, de cada estilo e temática, de cada pintura ou escultura antiacadêmica.
No Brasil, com a criação da Semana de Arte Moderna, São Paulo vinha se modificando velozmente; era uma capital progressista por causa do crescimento trazido pela economia; haviam novos costumes, novas relações políticas, novas influências; haviam tantos estrangeiros, tantos burgueses, tantos intelectuais se mobilizando que a Semana não poderia ter sido realizada em outro lugar.
Como consequência da intenção de romper com o tradicional, chocar e colocar a arte brasileira no mesmo da patamar da arte europeia, a Semana de Arte Moderna rendeu três dias de intensas e escandalosas apresentações no belíssimo Teatro Municipal de São Paulo que foram mais que suficientes para "escandalizar" a sociedade paulistana.
O espírito desses artistas modernistas era polêmico, original e debochado. Havia entre eles, como se percebe, uma posição anárquica, cuja frase famosa de Mário de Andrade os justificava: "Não sabemos definir o que queremos mas sabemos o que não queremos!". Tinham de lutar para revolucionar a vida social brasileira, que consideravam colonial, antiga e lusitana. E havia, sobretudo, um nacionalismo intransigente, que viria a criar obras de extrema importância como Macunaíma, de Mário de Andrade, a Poesia Pau-Brasil e o Movimento Antropofágico de Oswald de Andrade.
O Manifesto Antropófago ou Antropofágico foi um manifesto literário escrito por Oswald de Andrade. Publicado em maio de 1928, tinha como objetivo repensar a dependência cultural brasileira. A linguagem do manifesto é predominantemente metafórica, contendo fragmentos poéticos bem-humorados o que o torna a fonte teórica principal do movimento.
Oswald, em sua obra, contempla ideias de vários autores e pensadores do mundo inteiro como Marx, Breton, Rousseau, Freud e tantos outros. Combinadas as ideias e a ideologia de Oswald, características do início da formação cultural brasileira são retomadas: a combinação das culturas primitivas (indígena e africana) e da cultura latina, formada pela colonização europeia. E forma-se o conceito errôneo de caracterizar, perante a colonização, o selvagem como elemento agressivo.
Durante o desenvolvimento do manifesto Oswald reconta, metaforicamente, a História do Brasil, associando figuras como Padre Vieira, Anchieta, a Mãe dos Gracos, a corte de D. João VI, a Moral da Cegonha à potência mítica de Jabuti, Guaraci, Jaci e da Cobra Grande. O brasileiro, autor do manifesto, caracteriza como “idade de ouro” a época do Brasil não colonizado, com sua própria língua e cultura.
O Manifesto Antropofágico foi um marco no Modernismo brasileiro, pois não mudou apenas a forma do brasileiro de encarar o fluxo de elementos culturais do mundo, mas também colocou em evidência a produção própria, a característica brasileira na arte, ascendendo uma identidade tupiniquim no cenário artístico mundial.
A antropofagia oswaldiana deve ser vista como uma estratégia criativa, cujo intuito era questionar as bases político-econômico-culturais impostas pelo colonizador em nosso meio artístico e intelectual. A reivindicação antropofágica podia ser vista como a metáfora do que deveria ser repudiado, assimilado e superado em favor da independência cultural do País. Dialogando com as vanguardas europeias (os “ismos”) e os inúmeros manifestos da época, Oswald assume uma postura radicalmente crítica frente à cultura brasileira. Lança mão da paródia, da blague, do riso e da anarquia para realizar a “canibalização” cultural das nossas fontes primitivas reprimidas (“Tupy or not tupy, that is the question”) e das experiências e informações estrangeiras. A intenção oswaldiana é clara: deglutir a informação que vem de fora e devolver um produto novo e acabado, original, inovador e brasileiro.







2ª parte - Artes Visuais

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O expressionismo é a arte do sentimento, trata-se de uma pintura dramática, subjetiva, a fim de expressar sentimentos humanos. Este movimento revela o lado pessimista da vida, desencadeado pelas circunstâncias históricas de determinado momento. A face oculta da modernização, o isolamento, a alienação, a massificação se fizeram presentes nas grandes cidades e os artistas acharam que deveriam captar os sentimentos mais profundos do ser humano, assim o principal motor deste movimento é a angústia existencial. Predomina os valores emocionais sobre os intelectuais. Corrente artística concentrada especialmente na Alemanha entre 1905 e 1930.
Características do expressionismo:
  • Deformação da imagem visual e cores resplandecentes, vibrantes, fundidas ou separadas.
  • O pintor recusa o aprendizado técnico e pinta conforme as exigências de sua sensibilidade. O pincel vai e vem, fazendo e refazendo, empastando ou provocando explosões.
  • Preferencia pelo patético, trágico e sombrio. O artista vive não apenas o drama do homem, mas também da sociedade.

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Cênicas
http://youtu.be/8HU2kOY7Jw8

Música


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O Expressionismo surge dentro de um contexto na transição do século XIX ao XX. As mudanças no pensamento social, político e racional eram constantes. Teorias como de Nietzsche, desafiavam o conceito estabelecido do estado de espírito do individuo, gerando assim mudanças no ramo racional do ser humano.
Os questionamentos a respeito das teorias vigentes eram cada vez mais destacados, logo a forma de se expressar do ser humano passou a se modificar. Assim como na pintura e na literatura, a música apresentou severas mudanças no seu conceito.
A nova música expressionista partia de um principio de exprimir o sentimento dos compositores, que em suas obras, procuravam exibir suas emoções mais profundas.Com isso, as obras passaram a apresentar um caráter exagerado, demonstrando subjetividade nos sentimentos dos músicos.
A partir de então, a música expressionista passou a apresentar melodias complexas e polifônicas, era visível também uma ruptura com as “belas harmonias”, aonde agora se utilizava notas dissonantes, consequentemente, a música tornava-se atonal.
O principal exemplo da música expressionista se chama Arnold Schoenberg, compositor austríaco que revolucionou as entranhas da atonalidade na música, marcando assim o início do expressionismo musical.



Exemplos:
  • Arnold Schoenberg: Chamber Symphony No. 1
http://www.youtube.com/watch?v=R4N4Ws7TYdECompositor: Arnold Schoenberg
Ano: 1906.
Contexto: Foi composta no inicio do século XX, rompendo diretamente com os padrões anteriormente exigidos.
Instrumentação: A instrumentação consiste em uma orquestra completa (teclas, percussão, metais, madeiras e cordas), porém existem adaptações para orquestras menores.
Evidente melodias sobrepostas, dificultando a identificação das mesmas. A atonalidade é outro fator visível nesta obra, caracterizada pela desarmonia clássica.

  • Alban Berg: Wozzeck "Interlude"
http://www.youtube.com/watch?v=YHl7ZxWPYMsCompositor: Alban Berg.Ano: 1914 – 1922 (não se sabe ao certo).Contexto: Composta provavelmente, durante a 1ª Guerra Mundial, aonde era escassa a presença de músicos.Instrumentação: Orquestra completa (teclas, percussão, metais, madeiras e cordas).A obra evidencia um rompimento com os padrões pré-estabelecidos durante o período clássico. Melodias frenética e contrastes violentos são fatores que destacam o expressionismo da ópera.

OBS: O vídeo é apenas uma parte da ópera de Alban Berg.

  • Paul Hindemith: Mathis der Maler Symphony

http://www.youtube.com/watch?v=bsHGntqx5Yw

Compositor: Paul Hindemith.

Ano: 1933-1934.

Contexto: Composta no período Pré - 2ª Guerra, o compositor sofreria futuramente com ameaças nazistas.

Instrumentação:Orquestra completa (teclas, percussão, metais, madeiras e cordas).
A obra retrata o sentimento evidente do compositor, fato determinante para a mesma pertencer a vanguarda expressionista. Atrelado a outros fatores como a dissonância entre as notas e melodias sobrepostas.

3ª parte - Língua Portuguesa
https://www.youtube.com/watch?v=FADKlmkm1U4&feature=youtu.be

Ode ao Burguês é o nono poema da obra Paulicéia desvairada, de Mário de Andrade e o mais famoso. Foi lido durante a Semana de Arte Moderna de 1922. O título em si, parecia indicar um canto de triunfo (como eram as odes gregas) à burguesia, mas, na realidade, quando lido, revela sua intenção crítico-agressiva, pois o que se entende, ao pronunciá-lo é “Ódio ao Burguês”, o que o texto, efetivamente, é.
Eu insulto o burguês! O burguês-níquelo burguês-burguês!A digestão bem-feita de São Paulo!O homem-curva! O homem-nádegasO homem que sendo francês, brasileiro, italiano,é sempre um cauteloso pouco-a-pouco!Eu insulto as aristocracias cautelosas!Os barões lampiões! Os condes Joões! Os duques zurros!Que vivem dentro de muros sem pulos,e gemem sangue de alguns mil-réis fracospara dizerem que as filhas da senhora falam o francêse tocam os “Printemps” com as unhas!
No contexto revolucionário do modernismo, o termo “burguês” tem um campo semântico bem caracterizado. Com ele designa-se geralmente o inimigo, ou seja, o indivíduo que, indiferente às propostas de modernização estética e social, permanece preso ao passado. O próprio de seu comportamento é isolar-se do mundo por não querer se sujar. Insensível aos clamores da vida, o burguês refugia-se numa redoma asséptica e ali permanece, “satisfeito de si”.Mário de Andrade goza os burgueses, que ampliam suas barrigas à proporção que murcham o cérebro.
A rebeldia social encontra correspondência estilística: em lugar de adjetivos são usados substantivos com função adjetiva (“homem-curva”, “homem-nádegas”). O Futurismo preconizava o abandono do adjetivo e da pontuação regular.
É uma sátira aos que cultivam a ideologia da “caderneta de poupança”, tão empenhados em assegurar o futuro, que se esquecem de viver o presente.
Faz referência sarcástica aos hábitos colonizados de falar o Francês e participar da onda de “pianolatria” (admiração pelo piano).

Eu insulto o burguês-funesto!
O indigesto feijão com toucinho, dono das tradições!
Fora os que algarismam os amanhãs!
Olha a vida dos nossos setembros!
Fará sol? Choverá? Arlequinal!
Mas as chuvas dos rosais
O êxtase fará sempre Sol!
O universo do poeta opõe-se, radicalmente, ao conforto, luxo e opulência do mundo burguês; seu espaço está fora das quatro paredes, sua moradia é a rua, onde, no meio da massa amorfa, coloca-se ao lado dos desprotegidos, pobres e humildes.

Morte à gordura!
Morte às adiposidades cerebrais!
Morte ao burguês-mensal!
Ao burguês-cinema! Ao burguês-tiuguiri!
Pessoas que têm banha, sebo na cuca, retardando o andamento de suas células cerebrais.

Padaria Suíssa! Morte viva ao Adriano!
_ Ai, filha, que te darei pelos teus anos?
_ Um colar... _ Conto e quinhentos!!!
_ Más nós morremos de fome!
O insulto ao burguês que se vê obrigado a dar de aniversário da filha um cola 1500 réis mesmo que tenha de morrer de fome.

Come! Come-te a ti mesmo, oh! Gelatina pasma!
Oh! Purée de batatas morais!
Oh! Cabelos na ventas! Oh! Carecas!
Ódio aos temperamentos regulares!
Ódio aos relógios musculares! Morte á infâmia!
Ódio à soma! Ódio aos secos e molhados
Ódios aos sem desfalecimentos nem arrependimentos,
sempiternamente as mesmices convencionais!
Bronca contra o comportamento previsível daqueles que se deixam marcar pela repetição dos mesmos hábitos, sem perceber o quanto a rotina asfixia e aprisiona o cérebro e as sensações.
O burguês come a si, seus costumes, ele é um purê de batatas morais.

De mãos nas costas! Marco eu o compasso! Eia!
Dois a dois! Primeira posição! Marcha!
Todos para a central do meu rancor inebriante!
Ódio e insulto! Ódio e raiva! Ódio e mais ódio!
Morte ao burguês de giolhos,
cheirando religião e que não crê em Deus
Ódio vermelho! Ódio fecundo! Ódio cíclico!
Ódio fundamento, sem perdão!
Fora! Fu! Fora o bom burguês!...
“Giolhos”: joelhos; agressão aos “papamissas” que fazem do compromisso de ir à igreja muito mais um hábito social do que, efetivamente, um ato de fé.
Os adjetivos “vermelho”, “fecundo” e “cíclico” são aplicados contra a expectativa da norma. Geram nonsense. No verso seguinte reaparecem as antimerias (substantivos com função adjetiva).

Características finais:
Atendendo à técnica do verso harmônico, proposta no “Prefácio Interessantíssimo”, Mário de Andrade joga com a rima em diferentes posições, no mesmo verso ou em versos seguidos, daí as assonâncias alcançadas em zurros – muros – pulos.
No poema o tom agressivo e exclamativo, sugere os gritos e revolta; a irreverência contra a estrutura social, o uso do verso livre e a substantivação dupla.

  • Semana de Arte Moderna
Também conhecida como Semana de 22, a Semana de Arte Moderna aconteceu no Teatro Municipal de São Paulo, no ano de 1922. Tinha como alma o escritor Oswald de Andrade, como personagem teórico o escritor Mário de Andrade e como personagem prático o escritor Manuel Bandeira, que se rendeu ao Modernismo. Presente também na Semana estavam a pintora Anita Malfatti, o músico Villa Lobos, Di Calvacante e o escultor Vitor Brecheret. Tarsila Do Amaral apesar de não ter participado da semana se juntou posteriormente ao grupo dos revolucionários e teve grande contribuição na criação do Manifesto Antropofágico através principalmente do seu quadro “Abaporu”.
Influenciados pelos movimentos como o Futurismo, o Cubismo o Expressionismo e Surrealismo que aconteciam na Europa alguns artistas brasileiros com o intuito de atualizar a arte brasileira passaram a buscar uma identidade própria nacional e a liberdade de expressão aliado à renovação do contexto artístico e cultural, tanto na literatura como nas artes plásticas, na arquitetura e na música. Esse anseio por uma nova era e pela ruptura com o passado resultou na Semana de Arte Moderna, a qual nem chegou a durar sete dias devido ao “terremoto”/choque que causou na sociedade burguesa tradicional de São Paulo.

O Teatro Municipal de São Paulo foi palco da Semana de Arte Moderna e também de inúmeras vaias e críticas. Logo na abertura da Semana, ao ser recitado o poema de Manuel Bandeira “Os Sapos”, e ouviram-se muitos gritos e vaias devido à crítica ao parnasianismo pressente no texto. Outo episódio ocorreu em seu penúltimo dia, quando Villa-Lobos fez uma apresentação musical e entrou no palco calçando em um pé um sapato e em outro um chinelo. O público se sentiu agredido, pois considerou a atitude futurista e desrespeitosa. Apesar de não ter sido a intenção do músico causar qualquer tipo de choque na plateia, a sua entrada calçando chinelos devido ao seu problema de gota contribuiu para deixar claro o objetivo do modernistas: rompimento com as normas, com o clássico e com o erudito.

O evento, em seu início, não recebeu grande importância, mas com o passar do tempo ganhou um valor histórico e cultural inimaginável. Após a Semana surgiram diversos Manifestos que procuravam exaltar a cultura genuinamente Nacional, como o verde-amarelismo, ou o Manifesto Pau-Brasil que exultou os verdadeiros brasileiros (negros e mulatos). Em suma, a principal herança deixada pela Semana de Arte Moderna foi a libertação da arte brasileira em relação aos padrões europeus e dar início à formação de uma cultura essencialmente nacional.