GRUPO 4A

Giovanna Rocha - 13Isabela Caixeta - 16Julia Uchôa - 25Larissa Martins - 27Rafaela Simão - 36Vitor Guerra - 43

1ª Parte: História


A Revolução Russa, ocorrida em 1917 foi um movimento extremamente catastrófico. A causa do movimento se deu graças às crises política, econômica e social existentes no país e seu objetivo era o comunismo, visto que ela foi repleta de manifestos por melhores condições de vida e de trabalho do proletariado. Em um cenário de fome e miséria, participação desastrosa em guerras e reformas governamentais sem propósito, a Rússia se torna obrigada a se retirar da 1ª Guerra Mundial, e se reerguer dessa situação. Então, surgem as Teses de Abril, propostas por Lênin, que ajudavam a alcançar o objetivo da revolução.
Com o passar do tempo, essa ideologia comunista foi se espalhando. No Brasil, em 1922, surge o Modernismo, movimento que visava quebrar com os padrões do modelo vigente anterior, exprimir o pior do ser humano e valorizar o proletariado, rompendo com as futilidades burguesas. O início desse período se dá com a Semana de Arte Moderna, em São Paulo, e contou com grandes artistas como Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral e Anita Malfatti.
Giovanna Rocha - 13




2ª Parte: Artes



A1 - Artes Visuais
O futurismo é um movimento artístico e literário, que surgiu oficialmente em 20 de fevereiro de 1909 com a publicação do Manifesto Futurista, pelo poeta italiano Filippo Marinetti, no jornal francês Le Figaro. Os adeptos do movimento rejeitavam o moralismo e o passado, e suas obras baseavam-se fortemente na velocidade e nos desenvolvimentos tecnológicos do final do século XIX. Os primeiros futuristas europeus também exaltavam a guerra e a violência. O Futurismo desenvolveu-se em todas as artes e influenciou diversos artistas que depois fundaram outros movimentos modernistas.



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Giacomo Bala, "A luz da lua" - 1909



- Apologia à luz e à sua própria sensação dinâmica;

- Libertação e exaltação da energia que está contida na obra;

- Formas produzidas pela civilização moderna expressando a velocidade;

- Alternância de planos e sobreposição de imagens, que criam a velocidade e o dinamismo da imagem;

- Linhas circulares emaranhadas;

- Geometrização dos planos com ângulos não retos, permitindo a fragmentação da luz;

- Cores contrastantes, em composições violentas e chocantes.




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Umberto Boccioni, "Carga de lanceiro" - 1914


- Pintura como sensação dinâmica;

- O movimento e a luz destroem a materialidade dos corpos;

- Presença de cores vivas;

- Fortes contrastes.





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Luigi Russolo, "Dinamismo de um automóvel" - 1912


- Elementos dinâmicos;

- Possui movimentação;

- Presença de algum ritmo, ou seja, alguma temporalidade nos elementos gráficos;

- Velocidade;

- Força das máquinas, apresentadas nas fortes cores e traçados.



Rafaela Simão - 36


B1 - Artes Cênicas

"Surrealismo: Substantivo. Puro automatismo psíquico através do qual se deseja exprimir, verbalmente ou por escrito, a verdadeira função do pensamento. Pensamento ditado na ausência de qualquer controle exercido pela razão, fora de toda a preocupação estética ou moral."
Manifesto Surrealista (1924)
O Surrealismo foi uma vanguarda europeia onde o subconsciente ganha destaque. Esse movimento se usa de técnicas reais para representar o alucinógeno. Por isso, é caracterizado como "excesso de realidade".


Todos os integrantes do grupo


C1- Música

O impressionismo se iniciou na metade do século XIX até o meio do século XX, com maior atuação na França. A música impressionista assim como nas artes visuais deu maior destaque na forte emoção ou ilustração da história como mostrada na música programática. Ele surgiu como uma oposição aos excessos do romantismo. A era romântica foi caracterizada como uma era do uso dramático, já na música impressionista se tem dissonância nas escalas, melodias sensuais e etéreas. Claude Debussy e Maurice Ravel são considerados, em geral, os maiores compositores impressionistas. E podemos perceber que ainda há vestígios do Romantismo na música Impressionista.




Clair de lune, luar em francês, é o poema que inspirou o mais famoso movimento de Claude Debussy, o terceiro movimento da Suite Bergamasque. O poema foi inscrito por Paul Verlaine no ano de 1869. O movimento foi composto em 1905, apresentando a tonalidade de sol sustenido menor, apresenta uma harmonia ambígua, análoga as mascaras que escondiam a sutil melancolia sugestiva do inicio da poesia de Verlaine. Debussy faz uso de tons inteiros e da escala pentatônica (principalmente no prelúdio). Pode se dizer que o motivo da melodia é encontrado na mão direita do piano.
Larissa Martins - 27




Bolero é uma obra de um único movimento escrita para orquestra por Maurice Ravel. Foi originalmente composta para um Ballet e obteve sua premiére em 1928, é considerada a obra mais famosa de Ravel. o Bolero tem um ritmo invariável, possuindo a duração teórica de catorze minutos e dez segundos, além de uma melodia uniforme e repetitiva. Sendo assim a única sensação perceptível de mudança é dada pelos efeitos da orquestração e dinâmica. A origem do Bolero provém do pedido feito a Ravel pela dançarina Ida Rubinstein, de um balé a caráter espanhol. Maurice Ravel pensou em compor a obra por meio de alguns extratos retirados de outras músicas, porém ele compôs uma nova obra. Esta estreou em Paris, na Ópera Garnier, no dia 22 de Novembro de 1928, causando escândalo devido à sensualidade da coreografia.
Isabela Caixeta - 18




A obra Prélude à l'après-midi d'un Faune (Prelúdio ao Entardecer de um Fauno), de Claude Debussy, foi inpirada no poema I'après-midi d'un Faune, de Stéphane Mallarmé, e teve sua estréia em 1894. A obra conta a história de um fauno que tocava sua flauta em um bosque, e, excitado com a visão das ninfas e naiádes, passou a persegui-las em vão, até desistir e cair em um sono profundo. É possível perceber nessa música, assim como em várias outras obras do Impressionismo, características como: textura tremulante, combinação de timbres, a presença de "cadeias de acordes" (que ocorrem quando acordes dissonantes se fundem) e um efeito de algo vago.
Júlia Uchôa - 25

3ª Parte - Português


E o que dizer sobre a Semana de Arte Moderna?
Ao entardecer, a burguesia paulista se encontrava em seus toilettes. Como era de costume em eventos daquele porte, as elegantes damas da sociedade gastavam horas apenas na escolha de seus melhores vestidos e dos seus acessórios mais brilhantes. Os cavalheiros também tinham suas vaidades, o que os obrigava a pentear os cabelos com cuidado e habilidade notáveis. E, nessa preparação para a festa, iam-se litros de água das banheiras e quilogramas de pó para maquiagem. As singelas mãos das mocinhas quase se calejaram de tanto que apertaram o spray de seus perfumes parisienses. Nada que não pudesse ser disfarçado com um belo par de luvas de seda. Disfarçado: a palavra perfeita para aquela elite. Era necessário, antes do contato em evento de tão grande porte, que um escondesse do outro o que lhe era constrangedor: um disfarce social. Seguindo esse lema tradicional da vida burguesa, foram todos rumo ao Teatro Municipal naquela noite de fevereiro de 1922.Por si só, o catálogo do evento já era deveras interessante. São Paulo vibrava de curiosidade sobre o que viria a ser a Semana de Arte Moderna no Brasil. Os mais letrados já adiantavam que o acontecimento poderia ser um reflexo das diferentes vanguardas europeias, tais como o Futurismo, o Cubismo, o Dadaísmo, entre outros movimentos duramente criticados pelos mais conservadores. Além disso, a polêmica gerada pela exposição de Anita Malfatti em 1917 prometia ser levada adiante pelos amigos modernistas da pintora. Artistas como Oswald de Andrade e Mário de Andrade queriam revidar os insultos de Monteiro Lobato à obra de Anita e aos novos rumos da arte. Contudo, este era apenas um minúsculo tópico diante do objetivo maior da Semana de Arte Moderna: romper com os padrões do passado e instaurar uma arte nova.Tal meta foi trabalhada de diferentes modos por cada ramo da expressão artística de acordo com suas respectivas especificidades. No que tange à literatura, os escritores queriam romper com os padrões da forma e da temática estipulados pelos catedráticos das academias do centro. Os poetas rejeitavam a métrica parnasiana e os esquemas de rimas regulares e estáticas. Não queriam domar a ferocidade de sua inspiração com a contagem de sílabas métricas nos dedos das mãos sofridas de um ourives. A poesia modernista ansiava pelos versos livres e pelas rimas ocasionais como aqueles burgueses puderam perceber na leitura de "Poética" (Manuel Bandeira), um poema que serve de manifesto contra a frieza do Parnasianismo rígido e de louvor ao lirismo autêntico do Modernismo. Por sua vez, os romancistas desejavam se libertar das amarras do Realismo-Naturalismo e inaugurar um novo meio de se enxergar a prosa, desprezando as relações entre linearidade e a própria concepção básica de "começo-meio-fim". Como exemplo dessa ruptura, tem-se o livro "Memórias Sentimentais de João Miramar" (Oswald de Andrade), romance fragmentado e que se dá a partir da junção de textos de diferentes gêneros.No que diz respeito à temática, os modernistas brasileiros buscaram inovar ao retratar as situações coloquiais e ao tentar redefinir o que era "ser brasileiro". Em essência, era essa a proposta dessa 1ª fase do Modernismo no Brasil e, por conseguinte, da própria Semana de Arte Moderna. O próprio ano de 1922 não foi escolhido aleatoriamente para a realização do evento: celebrar-se-iam 100 anos da Independência do Brasil e, de acordo com os modernistas, também seria comemorada a independência da arte brasileira. Nesse sentido, os escritores buscavam levantar questões sobre a brasilidade e a identidade cultural nacional em obras como o romance "Macunaíma" (Mário de Andrade) e o poema "Erro de português" (Oswald de Andrade).Tantas inovações e rupturas ousadas, contudo, não foram muito bem recebidas pelo público na Semana de Arte Moderna. As senhoras não queriam acreditar que gastaram horas escolhendo um bom colar para assistir a um músico se apresentando de chinelos no palco do Teatro Municipal. Os cavalheiros indignavam-se ao pensar que perderam um bom tempo arrumando seus ternos para ver retratos de homens com rostos amarelos. As mocinhas choravam ao imaginar quantos litros de perfume se foram só para que elas ouvissem a declamação de um poema sobre uma briga de sapos. Evidentemente, o Modernismo proporcionou um intenso estranhamento no público em geral, que não entendia os caminhos que a arte estava tomando no início do século XX. O resultado não poderia ser outro: vaias e xingamentos. Os artistas envolvidos na Semana de Arte Moderna foram ridicularizados por uma elite conservadora. Contudo, poucas obras causaram tanta polêmica para a burguesia brasileira da época quanto o poema "Ode ao Burguês" (Mário de Andrade). Segue abaixo a declamação do poema e uma análise sobre o mesmo:


Referências utilizadas no vídeo:


O poema "Ode ao Burguês" (Mário de Andrade) chamou a atenção dos leitores da época por sua forma inusitada e ousada, em que não há preocupação com métrica e esquemas rímicos regulares. Nesse sentido, o texto perde o caráter puramente estético da poesia parnasiana e ganha tons de um manifesto. Nota-se, portanto, uma grande influência do Futurismo quanto ao aspecto agressivo em que o eu-lírico posiciona e fundamenta sua mensagem. Expressões de ordem, como "fora o bom burguês" e "come-te a ti mesmo", realçam esse referido teor truculento e inflamado do poema.
Quanto à temática, Mário de Andrade faz uma dura crítica ao estilo de vida burguês, expondo seu ódio e repúdio aos princípios da elite brasileira. Para isso, o poeta se vale de algumas figuras de linguagem trabalhadas de forma exemplar e inédita até então. Uma dessas figuras em destaque é a ironia, uma vez que o próprio título do poema apresenta um alto grau de trabalho com essa força de expressão. A palavra "ode" significa, em linhas gerais, uma homenagem ou uma exaltação, associando-se à poesia lírica grega. No entanto, uma breve leitura do poema já é capaz de desmentir essa ideia, uma vez que não há nenhum tipo de elogio à burguesia. Nesse sentido, também se percebe que a sonoridade da expressão "ode ao burguês" assemelha-se a da expressão "ódio ao burguês", sendo este um título que se adequaria perfeitamente à proposta do texto.
Além da ironia, Mário de Andrade constrói metáforas inusitadas com admirável maestria para pontuar suas críticas aos valores da burguesia brasileira. Leia, por exemplo, o seguinte trecho:

"Eu insulto as aristocracias cautelosasOs barões lampiões! os condes Joões! os duques zurros!que vivem dentro de muros sem pulos;e gemem sangues de alguns mil-réis fracospara dizerem que as filhas da senhora falam o francêse tocam os 'Printemps' com as unhas!"
Na estrofe citada, o primeiro verso já indica uma grande crítica que o poeta faz à burguesia: a vida cautelosa e conservadora das elites. Tal crítica também se manifesta quando ele declara "ódio aos temperamentos regulares", por exemplo. Em seguida, Mário de Andrade, para caracterizar a burguesia, cita títulos da nobreza ("barões", "condes" e "duques") e as associa à imagem da crueldade ("lampiões"), da banalidade ("Joões") e da ignorância ("zurros"). Posteriormente, o eu-lírico aponta ainda uma dura sátira à preocupação burguesa em garantir uma elegância de vitrine, uma inteligência para os eventos sociais. Nesse sentido, os burgueses buscam inúmeras formas de ganhar dinheiro apenas para mostrar à alta sociedade que sua prole é bem-criada e até convive com os ideais da cultura francesa, modelo de elegância seguido no início do século XX. Essa mesma ideia também se perpetua no diálogo criado por Mário de Andrade em que uma moça fútil declara que é mais importante um colar caríssimo do que a satisfação de necessidades básicas ("mas nós morremos de fome!").Em meio a tantas críticas, a burguesia paulista sentiu-se extremamente ofendida com as provocações do poema "Ode ao burguês". Contudo, os hábitos dessa classe sofreram poucas alterações, o que torna esta obra (publicada em 1922) um texto de extrema atualidade em relação ao ideais pregados na contemporaneidade. As damas, os cavalheiros e as mocinhas não ouviram Mário de Andrade. Não foram embora. Pelo contrário: passaram mais um século escolhendo boas roupas, bons penteados, bons perfumes e boas desculpas para disfarçar o vazio de suas vidas luxuosas.
(Texto sobre a Semana de Arte Moderna/ Análise do poema: Vitor Guerra - 43. Vídeo: colaboração de todo o grupo)

"O impulso lírico clama dentro de nós como turba enfuriada. Seria engraçadíssimo que a esta se dissesse: 'Alto lá! Cada qual berre por sua vez [...]'"

(Mário de Andrade)