Grupo 3_I
Brendha Mendes nº 09
Anna Carolina nº 06
Salma Lídia nº 37
Alecsandra nº 01
Ana Luísa Pires nº 04

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Ps: O vídeo está grande porque metade dele é making off XD . É opcional, então se não quiser ver assista só aos 3:30 do vídeo (y)






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1888 - Abolição da escravatura

A assinatura da Lei Áurea, pela Princesa Isabel, foi o término de um processo para atender os interesses capitalistas da Inglaterra, que pleiteavam a abolição da escravidão no Brasil.

1890 - Efeitos da imigração

O crescimento acelerado da população brasileira, graças à imigração estrangeira, atingindo 14,3 milhões de habitantes.

Década de 1890

Incentivo à imigração
Incentivo à política de imigração estrangeira, para substituir a mão-de-obra escrava; 184 mil imigrantes chegaram ao Brasil, se dirigindo principalmente ao Estado de São Paulo.

1897 - A Guerra de Canudos

O massacre do movimento de Canudos pelas tropas federais evidenciou o descolamento entre a República e o povo brasileiro. Esse movimento inspirou duas obras primas da literatura latino-americana: "Os Sertões", de Euclides da Cunha e "A Guerra do Fim do Mundo", de Mario Vargas Llosa.

1889-1930 - A República Velha

Período conhecido como "República Velha", caracterizado pela chamada política do café com leite, pela alternância no poder de representantes de Minas ou São Paulo. Priorizou o modelo agrário exportador e uma política contra a industrialização.

1904 - A Revolta da Vacina

A Revolta da Vacina, movimento popular contra a vacinação compulsória, teve como antecedentes a remodelação da cidade do Rio de Janeiro, onde o
Prefeito Pereira Passos expulsou os pobres que viviam no centro colonial,
Prefeito Pereira Passos expulsou os pobres que viviam no centro colonial, substituído pela moderna Avenida Central, inspirada no modelo aplicado em Paris pelo Barão de Hausmann.

1917-1922 - Reação operária

Crise e esgotamento da "República Velha", governada por uma elite agrária, quando a indústria sinalizava o novo dinamismo da economia e da sociedade. Neste período foram deflagradas as primeiras greves operárias, de ideário anarquista, duramente reprimidas pelo governo federal, que tratava a questão social como "caso de polícia".

1922 - Tenentismo

Consolidação do Tenentismo, movimento que refletia a insatisfação dos militares e o desejo de participação das camadas médias.

1922 - Semana de Arte Moderna

Realizada a Semana de Arte Moderna, em fevereiro, onde escritores e artistas brasileiros propõem a destruição da cultura europeizante e passadista.

1930 - A Revolução de 30

A Revolução de 30 instaurou no Brasil um novo modelo de desenvolvimento industrial e urbano. A adoção desse modelo foi estimulada pelos efeitos, no Brasil, do crash de 1929, que derrubou os preços do café e de outros produtos brasileiros para exportação.

1930-1945 - A Era Vargas

Período do governo autoritário e centralizado do Presidente Getúlio Vargas, caracterizado pelo populismo, nacionalismo, trabalhismo e forte incentivo à industrialização.

1942 - Brasil na 2ª Grande Guerra Mundial

O torpedeamento de cinco navios mercantes brasileiros e as fortes pressões populares obrigaram o governo brasileiro a se aliar aos Estados Unidos; foram organizadas as Forças Expedicionárias Brasileiras (FEB), que enviaram soldados para combater ao lado dos aliados.

1945 - Organização partidária

Com a onda democratizante do pós-guerra, Getúlio Vargas organizou os partidos por decreto e sob forte controle; os dois maiores partidos, o Partido Social Democrata (PSD) e o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), articularam uma aliança nacional que durou quinze anos.

1945 - Governo Dutra

Nas primeiras eleições após a guerra, foi eleito presidente Eurico Gaspar Dutra, pelo PDS.

1946 - A Constituição de 1946

Instalada a Assembléia Nacional Constituinte, responsável pela elaboração de uma nova Constituição. Os direitos individuais foram restabelecidos, aboliu a pena de morte, devolveu a autonomia de Estados e Municípios com independência dos três poderes – Legislativo, Judiciário e Executivo. Estabeleceu, também, as eleições diretas para Presidente, com mandato de cinco anos.

1947 - Perseguição aos comunistas

Sob fortes pressões da Guerra Fria, o Brasil decretou a ilegalidade do Partido Comunista Brasileiro (PCB), cassou parlamentares desse partido, fechou a Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT), interveio em centenas de sindicatos e rompeu relações diplomáticas com a União Soviética.


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(Língua Portuguesa)
A Semana de Arte Moderna de 1922, realizada em São Paulo, no Teatro Municipal, nos dias 13, 15 e 17 de fevereiro, teve como principal propósito renovar a arte e a cultura brasileira, tanto nas artes visuais, musicais e cênicas quanto na literatura. Note que tal ano (1922) não foi escolhido por acaso, já que cem anos antes, em 1822, ocorrera a independência do Brasil. O pretendido era mostrar as novas tendências artísticas que já vigoravam na Europa, e a partir disso criar uma arte essencialmente brasileira. A semana teve influências vanguardistas, principalmente do Cubismo, Futurismo e Expressionismo. Quem idealizou tal evento artístico e cultural foi o pintor Di Cavalcanti, mas quem pagou pelo mesmo foi Paulo de Tarso. Foi na Semana de Arte Moderna que o modernismo se instalou definitivamente no Brasil, e alguns dos destaques foram: Oswald de Andrade, Manuel Bandeira, Anita Malfatti, Mário de Andrade, Manuel Bandeira, Tarsila do Amaral e Vítor Brecheret.

Oswald de Andrade foi o mais transgressor e experimental dos modernistas. “A alegria é a prova dos nove”, declarou no “Manifesto Antropófago” de 1928, que defendia de forma poética uma língua brasileira e a metáfora do canibalismo do índio que deglute o estrangeiro. Era a idéia de antropofagia como caminho para a cultura brasileira. Esse projeto construtivo de um modernismo ligado à brasilidade já tinha se anunciado no “Manifesto da Poesia Pau-Brasil”, de 1924, que deu origem ao livro “Pau-Brasil”, publicado no ano seguinte. Oswald defendia a cultura realmente nacional, e pode-se dizer que Oswald foi e essência, a alma do modernismo no Brasil.
Erro de português


"Quando o português chegou
Debaixo de uma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena!
Fosse uma manhã de sol
O índio tinha despido
O português."


Oswald de Andrade


O capoeira

— Qué apanhá sordado?

— O quê?

— Qué apanhá?

Pernas e cabeças na calçada.


Como se pode perceber, Oswald de Andrade, assim como a maioria dos modernistas brasileiros procurou fazer uso da oralidade quando escrevia, e além disso não fazia uso da norma padrão gramatial.
Anita Malfatti entrou para a História pela crítica feroz de Monteiro Lobato, que condenou sua “arte caricatural” tipicamente européia, vinculando-a à perturbação mental. Já para Oswald de Andrade, sua pintura causava “impressão de originalidade e de diferente visão”. Cinco anos depois, Anita foi uma das principais atrações da exposição que abriu a Semana de Arte Moderna, com telas como “O homem amarelo”, “A estudante russa” e “A ventania”. A maior parte dessas obras, no entanto, era de anos anteriores, porque em 1922 Anita já tinha voltado à pintar de forma mais convencional.

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O homem amarelo, A estudante Russa e A ventania respectivamente

Mário de Andrade foi um teórico central do modernismo brasileiro. Sua pesquisa sobre a cultura essencialmente brasileira o levou a estudar o folclore, a cultura indígena e a cultura africana. Em sua obra “Macunaíma” (1928) fica claro esse estuda da cultura. Essa procura pela cultura brasileira definiu o lugar que o modernismo ocupa até hoje no imaginário nacional. Mário de Andrade, como já foi dito, foi a “teoria” do modernismo, já que procurou pesquisar as diversas culturas que formam o Brasil.

Trecho da obra Macunaíma:


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Manuel Bandeira já era um poeta estabelecido na época da Semana, e fazia principalmente literatura Parnasiana antes de entrar para o movimento modernista . Na década anterior, difundira o verso livre em textos críticos e em obras como “Carnaval”, de 1919. Manuel Bandeira preferiu não ir a semana em respeito a seus amigos parnasianos. Mesmo não comparecendo, os modernistas escolheram seu poema “Os sapos” como uma espécie de declaração de princípios. Publicou algumas das principais obras da poesia brasileira da primeira metade do século XX, como “Libertinagem” (1930) e “Estrela da Manhã” (1936).

Pneumotórax
Febre, hemoptise, dispneia e suores noturnos.

A vida inteira que podia ter sido e que não foi.

Tosse, tosse, tosse.
Mandou chamar o médico:

— Diga trinta e três.

— Trinta e três… trinta e três… trinta e três…

— Respire.
— O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado.

— Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?

— Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.

Manuel Bandeira

Tarsila Do Amaral também não compareceu a semana, pois estava viajando. Mesmo assim várias de suas pinturas foram expostas. As mais marcantes foram O Abaporu e A Negra. Ela foi influenciada pelas vanguardas européias em alguns aspectos, já que usava cores primárias e contraste cromático (Fauvismo), e usava da simplificação da forma (Cubismo).

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O Abaporu e A negra respectivamente

Vítor Brecheret ficou famoso na semana pela escultura Cabeça de Cristo, já que cristo aparecia com tranças e com aparência nada normal. Essa escultura gerou vários tipos de reações, de espanto até aprovação.


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A cabeça de Cristo
A semana deveria durar sete dias, apesar disso dura apenas 3. Por conta do grande sucesso que a “semana”já havia feito até dia 17, preferiram não arriscar, e deixaram-na apenas com 3 dias.
Como se pode perceber, a Semana de Artes Moderna foi a explosão de idéias inovadoras que aboliam por completo a perfeição estética tão apreciada no século XIX. Os artistas brasileiros buscavam uma identidade própria e a liberdade de expressão; com este propósito, experimentavam diferentes caminhos sem definir nenhum padrão. Isto culminou com a incompreensão e com a completa insatisfação de todos que foram assistir a este novo movimento. Logo na abertura, ao recitarem o poema de Manuel Bandeira, Os sapos, foram desaprovado pela platéia através de muitas vaias e gritos.

Embora tenha sido alvo de muitas críticas, a Semana de Arte Moderna adquiriu a sua importância com o passar do tempo. O movimento modernista continuou a expandir-se por divulgações através da Revista Antropofágica e da Revista Klaxon, e também pelos seguintes movimentos: Movimento Pau-Brasil, Grupo da Anta, Verde-Amarelismo e pelo Movimento Antropofágico. A semana foi de grande importância, já que o Brasil necessitava de um evento de magnitude e acompanhado de escândalo que marcasse estas novas direções da arte, que foi o movimento modernista.
Todo novo movimento artístico é uma ruptura com os padrões utilizados pelo anterior, isto vale para todas as formas de expressões, sejam elas através da pintura, literatura, escultura, poesia, etc. Ocorre que nem sempre o novo é bem aceito, isto foi bastante evidente no caso do Modernismo, que, a principio, chocou por fugir completamente da estética européia tradicional que influenciava os artistas brasileiros.



(Análise do poema)

Os Sapos

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Enfunando os papos,
Saem da penumbra,
Aos pulos, os sapos.
A luz os deslumbra.

Em ronco que aterra,
Berra o sapo-boi:
- "Meu pai foi à guerra!"
- "Não foi!" - "Foi!" - "Não foi!".

O sapo-tanoeiro,
Parnasiano aguado,
Diz: - "Meu cancioneiro
É bem martelado.

Vede como primo
Em comer os hiatos!
Que arte! E nunca rimo
Os termos cognatos.

O meu verso é bom
Frumento sem joio.
Faço rimas com
Consoantes de apoio.

Vai por cinquenta anos
Que lhes dei a norma:
Reduzi sem danos
A fôrmas a forma.

Clame a saparia
Em críticas céticas:
Não há mais poesia,
Mas há artes poéticas..."
Urra o sapo-boi:
- "Meu pai foi rei!"- "Foi!"
- "Não foi!" - "Foi!" - "Não foi!".

Brada em um assomo
O sapo-tanoeiro:
- A grande arte é como
Lavor de joalheiro.

Ou bem de estatuário.
Tudo quanto é belo,
Tudo quanto é vário,
Canta no martelo".

Outros, sapos-pipas
(Um mal em si cabe),
Falam pelas tripas,
- "Sei!" - "Não sabe!" - "Sabe!".

Longe dessa grita,
Lá onde mais densa
A noite infinita
Veste a sombra imensa;

Lá, fugido ao mundo,
Sem glória, sem fé,
No perau profundo
E solitário, é

Que soluças tu,
Transido de frio,
Sapo-cururu
Da beira do rio...

Apresentação da poesia Os Sapos:
















Análise do poema
O poema “Os Sapos”, de Manuel Bandeira, foi escrito em 1918, e publicado em 1919. Foi declamado por Ronald de Carvalho durante a Semana de Arte Moderna de 1922, evento que deu início ao Modernismo na Literatura e nas Artes no Brasil.

Na poesia, Manuel Bandeira joga com as palavras à maneira dos parnasianos, colocando pontos essenciais e características importantes defendidos e cultuados pelos parnasianos, a exemplo da sonoridade e métrica regular. Composto por 14 quartetos isométricos, em versos de redondilha maior, com um ritmo que varia com rimas ricas e pobres, o poema está construído segundo o rigor formal adotado pelo Parnasianismo.
Manuel Bandeira também fez uso de recursos como ironia, sarcasmo e paródia.

Para o crítico literário e escritor Alfredo Bosi, na História Concisa da Literatura Brasileira, a figura do poeta parnasiano, comparado a uma "máquina de fazer versos" no "Manifesto Antropófago" (1928) de Oswald de Andrade, foi ridicularizada e atacada em inúmeros artigos e poemas, como “Os Sapos”, de Manuel Bandeira, recitado por Ronald de Carvalho na segunda noite da Semana de Arte Moderna. Em oposição ao rigor gramatical e ao preciosismo linguístico parnasianos, os poetas modernistas valorizaram a incorporação de gírias e de sintaxe irregular, e a aproximação da linguagem oral de vários segmentos da sociedade brasileira.

A utilização de uma figura tão grotesca quanto um sapo vai ainda ao encontro da poética de Manuel Bandeira, uma vez que o autor defendia que a poesia “está em tudo – tanto nos amores como nos chinelos, tanto nas coisas lógicas como nas disparatadas” (BANDEIRA, 1984, p. 19).

Bandeira chama de sapos os poetas parnasianos que somente aceitavam a poesia rimada, formal, como os sonetos. Em “Os Sapos” ele também satirizou as reclamações dos poetas parnasianos e as comparou com o coaxar dos sapos num rio. Cada um desses poetas ele dá uma denominação diferente: sapo-boi, sapo tanoeiro e aos menores chama de saparia. Também mostra algumas das regras que eles seguiam: comer hiatos, nunca rimar cognatos, dar importância à forma.

O conteúdo do poema é essencialmente metalinguístico: na fala do sapo-tanoeiro aparece o fazer da poesia, apresenta-se a técnica da arte parnasiana e é possível observar a vitória da forma sobre o conteúdo. Os aspectos formais citados são o ritmo, o horror ao hiato, as rimas consoantes, a beleza formal. As demais estrofes podem ser divididas em duas ideias básicas: participação contraditória e duvidosa no diálogo sobre arte, do sapo-boi e dos sapos-pipas e a isenção do sapo-cururu como participante do diálogo.

Manuel Bandeira também utiliza a personificação, pois são atribuídas aos sapos qualidades e ações próprias do homem: “Berra o sapo-boi:/ Meu pai foi à guerra!” ou “O sapo-tanoeiro, / Parnasiano aguado,/ Diz: - Meu cancioneiro/ é bem martelado” ou “ Urra o sapo-boi:/ -‘Meu pai foi rei”- “Foi!’”.
O poema também é uma metáfora, pois não acontece a personificação de apenas um elemento, mas de todos os elementos que agem no poema, ou seja, os sapos. Eles substituem figurativamente os homens que trabalham com arte, com versos, com poesia, portanto, os poetas. Trata-se do diálogo de vários sapos que representa a classe dos poetas; estes comparados a sapos, cujo coaxar não tem beleza alguma.

Por se tratar de uma crítica aos parnasianos, o poeta modernista faz uso de formas na composição do poema para atacar o movimento da arte pela arte. Chamar o sapo-tanoeiro de “parnasiano aguado”, com seu “cancioneiro bem martelado”, é dizer que o ritmo marcado do Parnasianismo é como o coaxar do sapo-tanoeiro (ferreiro), automaticamente inferiorizado. Trata-se do desprezo irônico a esse ritmo, pois o enunciador faz no plano da expressão o que nega, através da ironia, no plano do conteúdo.

As referências ao Parnasianismo estão evidenciadas nos seguintes trechos:

(...) a perfeição: (Meu cancioneiro / É bem martelado), o purismo (O meu verso é bom / Frumento sem joio), o preciosismo (Que arte! E nunca rimo/ Os termos cognatos), o enrijecimento formal (Vai por cinquenta anos /Que lhes dei a norma: / Reduzi sem dano / A formas a forma.), e a supervalorização das poéticas (Não há mais poesia / mas há artes poéticas), a minúcia do trabalho poético (A grande arte é como / Lavor de joalheiro), (...), etc.” Ao dizer que seu verso é frumento sem joio, o interlocutor ressalta o fato de seu verso ser “puro” e de qualidade.
O poeta destaca ainda as virtudes poéticas parnasianas com termos rebuscados “Vede como primo”, seguido de uma expressão grosseira “Em comer hiatos”, com o verbo “comer” em lugar de “suprimir” estendendo a ideia de digerir a uma ocorrência estético-formal.

O sapo-cururu (metáfora para o poeta não-parnasiano e para o próprio Manuel Bandeira) institui uma descontinuidade, propõe uma ruptura com relação ao que os “outros sapos” almejavam, figurativiza o poeta não-parnasiano.

Quando o sapo-cururu entra em cena, vemos que ele, ao contrário, não busca integração com os valores vigentes. O tema da negação do parnasianismo é dado pelo percurso figurativo formado por longe dessa grita, lá, fugido ao mundo, transido de frio, sapo-cururu / da beira do rio, solitário. Interessante notar que os sapos escolhidos para figurativizar o poeta parnasiano são tipos menos conhecidos – o que vai ao encontro da prática parnasiana de utilizar palavras pouco comuns. Já o sapo-cururu é um tipo bastante conhecido dentro da cultura popular.

Não podemos deixar de notar a intertextualidade com a cantiga de roda “Sapo-cururu”:

"Sapo-cururu
Da beira do rio
Quando o sapo canta,
Ó maninha,
É que sente frio.
A mulher do sapo
Deve estar lá dentro
Fazendo rendinha,
Ó maninha,
Para o casamento"

Os dois primeiros versos da cantiga (Sapo-cururu / Da beira do rio) são exatamente os dois últimos do poema. Além disso, a cantiga diz que o sapo sente frio e o poema diz que o sapo está transido de frio. A utilização de uma espécie simples e conhecida de sapo e a intertextualidade com a cantiga de roda remetem à simplicidade e ao cotidiano – dois pontos muito presentes dentro do que se configuraria, mais tarde, como a poética modernista – que contrastam com a versificação dos parnasianos eruditos.



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(Artes Visuais)
O Cubismo surgiu no período entre a Primeira e a Segunda Guerras Mundiais (1907-1939) como um contraponto a arte da época. Sua origem remonta à Paris e a 1907, ano do célebre quadro de Pablo Picasso, Les Desmoiselles d'Avignon. Pablo Picasso e Georges Braque, inspirados em Cézanne, criaram este movimento artístico que tinha como objetivo o rompimento com as reproduções artísticas convencionais.

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A nova corrente foi denominada assim pois cubos, volumes e planos geométricos entrecortados ressignificaram formas que apareceram simultaneamente, em vários ângulos. O espaço da tela - plano sobre o qual a realidade é recriada - rejeitou distinções entre forma e fundo ou noções de profundidade e perspectiva, característicos das artes do "passadismo", acadêmicas e com conceitos limitadores liberdade de expressão do artista. O Cubismo, com o tempo, quase atingiu a total abstração e um caráter ilusório.









Sendo os desenhos bidimensionais, com os traços retos e o abandono quase total do modelado, a representação do corpo humano ficou próxima a de um objeto, cujas partes retratadas estão no mesmo plano e há a sensação de que o objeto está aberto e exposto com todos os seus lados no plano frontal.
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Obra: Les demoiselles d´Avignon
Autor: Pablo Picasso
Técnica: óleo sobre tela/cubismo
Análise:
  • pintura que inicia movimento cubista;
  • cena de bordel na rua de Avignon, em Barcelona
  • falta de modelagem entre as cores, que são aplicadas sem que haja modulação, suavização, entre uma e outra;
  • planificação/sobreposição de formas/renúncia à perspectiva;
  • personagens convertidos em verdadeiros ícones primitivos, anímicos;
  • mulheres como deusas da fertilidade tribais, tornam-se míticas pela mistura de aspectos antropomórficos com geometrismos da arte primitiva;
  • apresentação simultânea da mulher sob várias máscaras/ângulos;
  • estilo agressivo, é uma mescla da fase rosa de Picasso com a arte africana e oceânica, especialmente máscaras rituais;
  • golpe violento contra o classicismo da arte europeia e da tradição Renascentista.


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Obra: Moça com Bandolim
Autor: Pablo Picasso
Técnica: óleo sobre tela/ cubismo analítico
Análise:
  • a fragmentação da forma é levada a extremos;
  • descrita em termos de planos que se justapõem e interpenetram;
  • poucas linhas descrevem alguns aspectos da anatomia que mantém a reminiscência do objeto;
  • os volumes não se coadunam;
  • uso de cores parecidas/ frias, gerando dificuldade visual
  • quase abstração/perda da figuração.
  • ampliar o aspecto geométrico, tornando os objetos e figuras cada vez mais segmentados por polígonos.
  • multiplicidade de pequenas áreas que apenas sugerem as formas dos corpos.
  • pretendiam estar fazendo obra realista
  • o objeto é representado a partir de diversos pontos de vista, gerando o aspecto caleidoscópio
  • abstracionismo era tão iminente que os próprios artistas cubistas passaram a utilizar-se de fragmentos do mundo para tentar novamente encaixar as obras dentro de uma proposta realista.

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Obra: Cinco Moças de Guaratinguetá
Autor: Emiliano Di Cavalcanti
Técnica: óleo sobre tela/ cubismo + fauvismo
Análise:
  • clima de sensualidade relacionado aos fortes contrastes cromáticos;
  • a cor dependendo do desenho, pois predomina o cuidado na relação entre volumes e planos;
  • sobreposição de formas/geometrização do corpo feminino
  • uso de cores fortes, gosto interiorano sublimado numa composição colorida que remete ao inconsciente coletivo da sociedade brasileira;
  • quebra da perspectiva;
  • temática: mulheres em seu cotidiano na cidade, a ginga dos sambistas, as baianas, as mulatas capitosas, as mulheres da vida, os trabalhadores, a paisagem, a própria vida do País que é sempre vigorosa;
  • definir e preservar uma identidade nacional.



Para melhor representar as vanguardas, mostramos o vídeo de cênicas, que é baseado nos preceitos surrealistas e expressionistas:














(Música)
A Semana, de uma certa maneira, nada mais foi do que uma ebulição de novas ideias totalmente libertadas, nacionalista em busca de uma identidade própria e de uma maneira mais livre de expressão. Não se tinha, porém, um programa definido: sentia-se muito mais um desejo de experimentar diferentes caminhos do que de definir um único ideal moderno.

  • 13 de fevereiro (Segunda-feira) - Foi a abertura oficial do evento. O dia foi dedicado as esculturas e pinturas. Tudo transcorreu em certa calma neste dia.

  • 15 de fevereiro (Quarta-feira)- Dia dedicado aos poemas e á arte estética. A noite acaba em algazarra.

  • 17 de fevereiro (Sexta-feira)- O dia mais tranquilo da semana, apresentações musicais de Villa-Lobos, com participação de vários músicos. O público em número reduzido, portava-se com mais respeito, até que Villa-Lobos entra de casaca, mas com um pé calçado com um sapato, e outro com chinelo; o público interpreta a atitude como futurista e desrespeitosa e vaia o artista impiedosamente. Mais tarde, o maestro explicaria que não se tratava de modismo e, sim, de um calo inflamado.

Na música, estiveram presentes nomes consagrados, como Villa-Lobos, Guiomar Novais, Ernâni Braga e Frutuoso Viana.

Villa-Lobos
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Heitor Villa-Lobos nasceu no Rio de Janeiro, em 1887.

Considerado uma das figuras mais importantes da história da música no Brasil, aprendeu a tocar violoncelo aos seis anos de idade com o pai, músico amador. Foi também nessa época que conheceu a obra de Bach, que tanto o influenciaria no futuro.

Em 1905, começou a percorrer o Brasil, familiarizando-se com a temática da música popular - cantigas de viola, reisados, frevos. Durante anos recolheu e anotou mais de 1.000 temas folclóricos. Dez anos depois, fez sua estréia como compositor, apresentando-se numa série de concertos no Rio de Janeiro. Nessa época, enquanto compunha suas obras, sobrevivia tocando violoncelo nas orquestras dos teatros e cinemas cariocas. A modernidade de sua música provocou reações adversas nos jornais.
Em 1922, participou da Semana de Arte Moderna de São Paulo, apresentando no Teatro Municipal obras de sua autoria em primeira audição. A partir de 1922, seu trabalho revelou crescente afinamento com a temática nacionalista e modernista que presidiu a Semana. Já bastante conhecido no meio musical brasileiro, Villa-Lobos transferiu-se em 1923 para Paris, onde permaneceu um ano.
Villa-Lobos faleceu no Rio de Janeiro, em 1959, deixando cerca de 1.500 peças, nos mais diversos gêneros e para as mais diversas formações instrumentais e vocais. No ano seguinte, foi fundado, em sua homenagem, o Museu Villa-Lobos, no Rio de Janeiro.
Como é possível perceber, a música teve uma participação muito importante com a presença de Villa-Lobos na semana de arte moderna. Vamos então entender o impressionismo, que foi considerado o marco inicial da arte moderna, tendo como pai o francês Claude Debussy (nas artes musicais)


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O impressionismo foi um movimento artístico que surgiu na França no final do século XIX. Este movimento é considerado o marco inicial da arte moderna. O nome “impressionismo” deriva de uma obra de Monet chamada Impressão, nascer do sol

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Impressão, nascer do sol - Claude Monet (1872)

Os impressionistas buscavam retratar em suas obras os efeitos da luz do sol sobre a natureza, por isso, quase sempre pintavam ao ar livre. A ênfase, portanto, era dada na capacidade da luz solar em modificar todas as cores de um ambiente, assim, a retratação de uma imagem mais de uma vez, porém em horários e luminosidades diferentes, era algo normal. O impressionismo explora os contrastes e a claridade das cores, resplandecendo a idéia de felicidade e harmonia.

O impressionismo na música:

Todo Impressionismo musical está baseado no francês Claude Debussy, o pai da música moderna. Ele, graças à sua rebeldia e ao seu inconformismo, operou uma revolução confiando mais em seu ouvido e nem tanto nos tratados de harmonia e composição. Levado pela intuição abriu todo um caminho para as experiências modernistas do nosso século. Debussy criou um sistema de acordes isolados, livres da rigidez da harmonia tradicional. Os acordes lembraram aos contemporâneos as pinceladas espontâneas dos pintores impressionistas. Foi logo chamado de "impressionista", assim como os seus seguidores. O movimento ganhou esse nome. Surgiu também como uma reação aos excessos da Era Romântica, enquanto este período foi caracterizado como uma era do uso dramático do sistema das escalas maior e menor, a música impressionista tende a fazer mais uso de dissonância com escalas não tão comuns, tal como a escala hexafônica. Os compositores românticos também usavam gêneros mais longos de música, como a sinfonia e o concerto, os compositores impressionistas preferiram formas menores.
Talvez as inovações mais notáveis usada pelos compositores impressionistas foram: o uso da escala de acordes de 7ª maior e a extensão de estruturas nos acordes com intervalos de 3ª à harmonias de cinco e seis partes. Um estilo musical, distinto e marcante, do período da música impressionista foi o efeito de planar sobre uma frase melódica. Claude Debussy, especialmente, foi mestre deste efeito. Em várias de suas composições ele utiliza acordes de 11ª e 13º bem abertos e repetitivos, lentamente e, com um toque ostinato sobre estes acordes, ele desenvolve uma linha simples melódica por cima da mão que fica repetindo o acompanhamento nas mesmas notas, causando este efeito ser chamado de "planando", o que críticos descrevem como: "O efeito disso era uma nova e estranha sonoridade”.
Assim como na pintura, a música impressionista não possui linhas (no caso melódicas) nítidas, suas melodias são pouco angulosas, sensuais e etéreas. O efeito dos sons é muito importante no contexto da obra, muitas vezes mais importantes que a própria melodia.
A música impressionista não segue o clássico sistema tonal Ocidental, buscando harmonias dissonantes (para os padrões da época) em outras culturas, principalmente asiáticas.
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Claude Debussy

A contribuição de Debussy não se restringiu à harmonia. Ele foi um dos primeiros compositores a se interessar pela rica música oriental. Logo adotou algumas de suas soluções, como as escalas de tons inteiros e as escalas penta tônicas. Outras influências foram o jazz americano e a música negra. O piano foi principal meio de expressão de Debussy. Ele deixou importantes obras na música orquestral, na música de câmara e na ópera, com a obra-prima Pelléas et Mélisande.

Maurice Ravel é outro grande nome do Impressionismo. A princípio ele seguiu as idéias debussistas, mas sempre mostrou uma personalidade bastante forte. Exímio orquestrador, grande criador de melodias, Ravel era um compositor que buscava da perfeição. Depois de compor inúmeras obras-primas impressionistas como La Valse, Daphins et Chloé e Pavane pour une infante défunte, voltou-se, no final da vida, a uma estética mais clássica.
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Maurice Ravel

Manuel de Falla foi o mais importante compositor espanhol impressionista. Ele acrescentou ao Impressionismo francês o calor e a sensualidade espanhola, os ritmos andaluzos e a orquestração colorida que fizeram célebres obras como El Sombrero de Tres Picos e El Amor Brujo.
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Manuel de Falla

Exemplos de músicas impressionistas

  • Claude Debussy, Prelúdio à Tarde de um Fauno



Prélude à l'après-midi d'un Faune (Prelúdio à Tarde de um Fauno) - très modéré - duração: 10 minutos (aproximadamente)
É um Poema Sinfônico composto por Claude Debussy, músico clássico francês, entre 1892 e 1894, baseado em um poema de Stéphane Mallarmé. Sua estréia se deu em Paris na Société Nationale de Musique , no dia 22 de dezembro de 1894 sob a direção de Gustave Doret. Alguns críticos consideram sua apresentação como marco inicial da música moderna. É uma obra considerada um dos expoentes da música impressionista.
A orquestra é formada por: três flautas, dois oboés, um corne-inglês, dois clarinetes, dois fagotes, quatro cornetas de pistão, duas harpas, e instrumentos de cordas (violinos, violas, violoncelos, contrabaixos).

Características impressionistas:

  • Debussy procurou considerar "a impressão geral do poema" ilustrada por instrumentos que realçam e colorem as emoções e as impressões das passagens invocadas.
  • Usa os sons por seus efeitos expressivos (assim como os artistas plásticos usavam luzes e cores para efeito expressivo).
  • Acordes dissonantes se fundem formando movimentos paralelos, gerando o efeito de algo bruxuleante.

  • Noites no jardim de Espanha – Falla







A suite para piano e orquestra "Noites nos Jardins de Espanha" foi composta entre 1909 e 1915 e estreou em 1916 em Madri. Faz parte da primeira das composições de Falla. A peça foi inspirada nos famosos jardins muçulmanos de Alhambra (Castelo Vermelho) dos palácios da vila Generalife, em Granada.
A pontuação apela para piano, três flautas e flautim, dois oboés, dois clarinetes, dois fagotes, dois trompetes, três trombones e tuba, pratos, triângulo, harpa e cordas. É executado na faixa de 22 a 26 minutos.

Características impressionistas

  • Melodia composta por intervalos ascendentes e descendentes que se sucedem. Logo entra o piano, cuja linha passa a fazer parte da melodia. Bem em estilo espanhol, desde o início a obra não nega seu estilo nacionalista.
  • Ao longo do movimento, as oscilações são substituídas por linhas que acabam como que deixando algumas notas 'no ar'. Contudo, no final elas voltam com maior vigor. Sempre delicado, o primeiro movimento contempla os místicos jardins de Generalife, com suas várias cores e formas.
  • O segundo movimento, danza lejana, embora ainda sem grandes explosões, já é um pouco mais vigoroso que o primeiro. O piano, aqui, se destaca mais que no movimento anterior.
  • O terceiro movimento, en los jardins de la Sier, começa com um forte, mas logo retoma a delicadeza dos anteriores, com solos do piano.
  • O piano tocado juntamente com o violino traz um som de acordes dissonantes, e a escala pentatonica acentua o efeito bruxuleante.

  • La Valse – Maurice Ravel







Criada em 1919 por Maurice Ravel, fez a estréia da obra em versão orquestral no dia 12 de dezembro de1920, nos Concertos Lamoureux, em Paris, sob a direção de Camille Chevillard.
Como balé, foi encenado pela primeira vez em 23 de maio de 1929, na Ópera de Paris, tendo como bailarina Ida Rubinstein.
A orquestra para a execução da obra compõe-se dos seguintes instrumentos:
flautim, flauta, 2 oboés, corne inglês, 2 clarinetes, clarinete baixo, 2 fagotes, contrafagote, contrabaixo, 4 trompas, 3 trombetas, 3 trombones,tuba, percussão, 2 harpas, instrumentos de cordas.
Em termo de apresentação orquestral, a execução da obra dura em média 12 minutos.
A composição pode ser dividida em duas partes para efeito de análise e compreensão.

Características Impressionistas:

  • O clima musical é fragmentado e um pouco confuso. Emergem vários temas. Aos poucos, um ritmo de valsa é estabelecido e vai tomando forma. A valsa firma-se ao som do oboé, seguido de outro tema firmado nos violoncelos e clarinetes. A execução torna-se agitada.
  • Na segunda parte a atmosfera musical é nervosa, impondo-se o tema dos violoncelos de forma insistente. Surge outro tema antes do coda. A agitação tende a aumentar, até atingir o clímax final com a mistura de maneira anárquica de todos os temas.
  • Durante toda a execução da obra, sete melodias se entrelaçam. Ravel consegue estabelecer uma sequência de contrastes em toda a peça. O que vem a seguir não tem relação com o que veio antes e também não estabelece vínculo com o que vem depois. Cada aparição é uma surpresa para o ouvinte.
  • A obra reflete a agitação e confusão que tomou a europa após o término da Primeira Guerra Mundial. Maurice Ravel procura expressar esta angústia através desta obra. Não mais o clima ameno, linear e jovial de uma valsa, mas uma valsa nervosa e agitada, teminando em uma atmosfera catastrófica, tal qual ficou o continente europeu após o término da guerra.