Grupo 3_F
Débora Cortes - 15
Ísis Avon - 23
Julia Elias - 24
Maria Eduarda - 29
Marina Pimenta - 31
Rafaella Carvalho - 39

1.

Vanguarda, palavra originária do francês avant-garde, significa o “movimento artístico que marcha na frente”, anunciando, agressivamente, um novo tipo de arte. É com esta ideia de ruptura que nasce o século XX, carregado com transformações tecnológicas que modificaram as maneiras de o homem perceber a realidade. A eletricidade, o automóvel, o avião e o cinema deslocaram e aceleraram o olhar do homem moderno, fazendo nascer, em meio a estas transformações, várias manifestações artísticas, as chamadas Vanguardas Europeias, que dariam origem ao Modernismo.

Dentre as grandes transformações ocorridas no século XX, uma grande ênfase se dá para o avanço tecnológico. Houve uma revolução nos transportes e nas comunicações, o que encurtou o tempo e as distancias e tornou o mundo muito mais rico em sua capacidade de produzir bens e serviços. Houve também uma revolução social, a humanidade tornou-se mais culta, devido a uma maior propagação de informações, e a maioria das pessoas é considerada alfabetizada, o que torna mais rápida a propagação e a adesão de novos ideais. O século XX é considerado por muitos o século mais assassino, nele ocorreram guerras que dizimaram populações. A tecnologia, facilitadora da vida humana, se vira contra seu próprio criador e passa a destruí-lo com a criação da bomba atômica e outras novas tecnologias bélicas.

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Como consequência da Revolução Industrial e da Primeira Guerra Mundial, surgiu um sentimento nacionalista, um progresso espantoso das grandes potências mundiais, e uma disputa pelo poder. Várias correntes ideológicas foram criadas, como o Nazismo, o Fascismo e o Comunismo, e também surgiram os movimentos artísticos que chamamos de Vanguardas. Todos esses movimentos pautavam-se no mesmo objetivo, que era a criação de novos padrões estéticos que fossem mais coerentes com a realidade histórica e social do século que surgia por meio de manifestações artístico-literárias. Estas manifestações se destacaram por sua radicalidade, a qual proporcionou que influenciassem a arte em todo o mundo. As cinco correntes vanguardistas que mais influenciaram o novo modelo artístico foram: Expressionismo, Cubismo, Futurismo, Dadaísmo e Surrealismo.

O Cubismo tinha como propósito decompor, fragmentar as formas geométricas. Investia na subjetividade de interpretação das obras, afirmando que um mesmo objeto poderia ser visto de vários ângulos. Na literatura, caracteriza-se pela representação de uma realidade fragmentada, que é retratada por palavras dispostas simultaneamente, com o objetivo de formar uma imagem.

O Dadaismo surgiu em plena Primeira Guerra Mundial é um grande reflexo das emoções causadas pela Guerra, tais como revolta, agressividade e indignação. Caracteriza-se pelo ready-made, concepção artística em que se colocam objetos "prontos" na obra a fim de fazê-los ganhar um novo significado. Na literatura, se caracteriza pela agressividade verbal, pela desordem nas palavras, a incoerência, a quebra da lógica e do racionalismo, e pelo abandono das regras formais do fazer poético.

O Expressionismo visava transmitir a agitação e inquietação que subvertia a estética da época por meio de obras anti-naturalistas e da massificação do ser humano, que se davam pela sensação de pânico que as obras possuíam. Procurava transmitir ao mundo a situação do homem, com seus vícios e horrores.

O Surrealismo trouxe para a arte concepções freudianas, relacionadas à psicanálise. Segundo esta vanguarda, a arte deve surgir do inconsciente sem que haja interferências da razão. Trabalha frequentemente com elementos como a fantasia, o devaneio e a loucura.

O Futurismo, surgido através do Manifesto Futurista criado pelo italiano Tommaso Matinetti em 1909, tinha como proposições negar o passado, o academicismo e trazer o interesse ideológico, a pesquisa, a experimentação, a técnica e a tecnologia para a arte. Foi muito influenciado pelo Cientificismo e a Revolução Industrial, por isso suas obras passavam sensação de movimento e exaltação às maquinas. Marinneti pregava o desapego ao tradicionalismo, especialmente quanto à sintaxe da língua.

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No Brasil a influência destas Vanguardas não poderia ser diferente, uma vez que este era o exato momento da história em que as manifestações artísticas estavam crescendo em nosso país e que a maioria dos artistas se espelhavam nas tendências europeias, fosse para imitar-lhes, fosse para combater-lhes. As Vanguardas Europeias passaram pela Literatura Brasileira deixando sua contribuição, especialmente ao somarem com a Semana de Arte Moderna e o Movimento Modernista, pois juntos vieram romper com a antiga estética que até então reinava em nosso país.

A Semana de Arte Moderna de 1922, realizada em São Paulo, no Teatro Municipal, de 11 a 18 de fevereiro, teve como principal propósito renovar, transformar o contexto artístico e cultural urbano, tanto na literatura, quanto nas artes plásticas, na arquitetura e na música. Mudar, subverter uma produção artística, criar uma arte essencialmente brasileira, embora em sintonia com as novas tendências europeias, essa era basicamente a intenção dos modernistas. Durante uma semana a cidade entrou em plena ebulição cultural, sob a inspiração de novas linguagens, de experiências artísticas, de uma liberdade criadora sem igual, com o conseqüente rompimento com o passado.O catálogo da Semana apresenta nomes como os de Anita Malfatti, Di Cavalcanti, Mário e Oswald de Andrade, Villa-Lobos, entre tantos outros.

O movimento modernista eclodiu em um contexto repleto de agitações políticas, sociais, econômicas e culturais. A Semana, como toda inovação, não foi bem acolhida pelos tradicionais paulistas, e a crítica não poupou esforços para destruir suas idéias, em plena vigência da República Velha, encabeçada por oligarcas do café e da política conservadora que então dominava o cenário brasileiro. A elite, habituada aos modelos estéticos europeus mais arcaicos, sentiu-se violentada em sua sensibilidade e afrontada em suas preferências artísticas.

Durante a Semana, não havia entre seus participantes uma coletânea de idéias comum a todos, por isso ela se dividiu em diversas tendências diferentes, todas pleiteando a mesma herança, entre elas o Movimento Pau-Brasil, o Movimento Verde-Amarelo e Grupo da Anta, e o Movimento Antropofágico. O principal legado da Semana de Arte Moderna foi libertar a arte brasileira da reprodução nada criativa de padrões europeus, e dar início à construção de uma cultura essencialmente nacional.

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Antropofagia - Tarsila do Amaral


Referências:

ERIC HOBSBAWM, Era dos Extremos: O Breve Século XX

LUCIA HELENA, Movimentos da Vanguarda Europeia

http://www.infoescola.com/artes/vanguardas-europeias/

http://www.infoescola.com/artes/semana-de-arte-moderna/

Débora Azevedo







2.

2.1 Artes Visuais

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  • Surrealismo surgiu na França na década de 1920.
  • Termo "surrealismo" significa "o que está acima do realismo".
  • Marco inicial foi a publicação do Manifesto Surrealista, feito pelo poeta e psiquiatra francês André Breton, em 1924.
  • Influenciado pelas teses psicanalíticas de Sigmund Freud, que mostram a importância do inconsciente na criatividade do ser humano.
  • Caracterizado pela expressão do pensamento de maneira espontânea e automática, regrada apenas pelos impulsos do subconsciente, desprezando a lógica e renegando os padrões estabelecidos de ordem moral e social.
  • Fusão do sonho com a realidade
  • Buscava o bizarro e o irracional
  • Imagens poéticas
  • Combinação do representativo, do abstrato, do irreal e do inconsciente.
  • Disposição aleatória de objetos
  • Busca da perfeição do desenho e das cores, dentro da dimensão do imaginário
  • Ilusões ópticas
  • Cenas de sonho e ironia.
  • Questionava as crenças culturais então vigentes na Europa, bem como a postura humana, vulnerável frente a uma realidade cada vez mais difícil de compreender e dominar.
  • Os artistas do surrealismo que de destacaram mais na década de 1920 foram: o escultor italiano Alberto Giacometti, o dramaturgo francês Antonin Artaud, os pintores espanhóis Salvador Dalí e Joan Miró, o belga René Magritte, o alemão Max Ernst, e o cineasta espanhol Luis Buñuel e os escritores franceses Paul Éluard, Louis Aragon e Jacques Prévert.

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  • Ilusão de ótica
  • Fusão do sonho com a realidade
  • Imagens poéticas

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  • Ilusão de ótica
  • Fusão do sonho com a realidade
  • Imagens poéticas

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  • Ilusão de ótica
  • Fusão do sonho com a realidade
  • Imagens poéticas



2.2 Artes Cênicas






2.3 Música




O impressionismo foi um movimento artístico que surgiu na França no final do século XIX. Este movimento é considerado o marco inicial da arte moderna. O impressionismo foi um movimento artístico que passou a explorar, de forma conjunta, a intensidade das cores e a sensibilidade do artista. O nome “impressionismo” deriva de uma obra de Monet chamada Impressão, nascer do Sol (1872).

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Movimento Impressionista na música foi um movimento na música erudita, principalmente na França. A música impressionista focalizou mais na sugestão e utilizando muito a música de programa. Surgiu como uma reação aos excessos da Era Romântica. A música impressionista tende a fazer mais uso de dissonância com escalas não comuns.



Prelúdio à Tarde de um Fauno - Debussy
https://www.youtube.com/watch?v=9_7loz-HWUM

A orquestra é formada por: três flautas, dois oboés, um corne-inglês, dois clarinetes, dois fagotes, quatro cornetas de pistão, duas harpas, e instrumentos de cordas (violinos, violas, violoncelos, contrabaixos).

Não segue rigorosamente as regras do sistema tonal como se fossem modelos imperativos e imutáveis. Em vários momentos, Debussy provoca uma ambiguidade em relação às regiões tonais, fazendo com que o ouvinte se surpreenda com os caminhos inesperados tomados pela música, cuja narrativa obedece a um fluxo espontâneo, como se fossem imagens que se projetam de um devaneio.

Outro aspecto inovador, que foi de suma importância para os demais compositores do período modernista, reside na forma musical da obra. O Prelúdio possui uma forma espontânea, instintiva, quase que como em um improviso. O tema principal apresentado no início pela flauta – em alusão ao Fauno – aparece por toda a obra, em suas mais diversas variações, seja fragmentado ou em meios a ornamentos fugidios, como se o personagem surgisse vez ou outra em meio às cenas evocadas pela orquestra, atuando como elemento unificador, isto é, que garante o sentido e a coerência da peça. Com isso, temos um grande dinamismo de eventos sonoros distintos que surpreendem nossa audição de forma constante, mas sem que haja perda na identidade da obra como um todo. A sensação de espontaneidade também é proveniente das oscilações de andamentos e irregularidades rítmicas; uma forma tratada da maneira tradicional exigiria um ritmo mais regular e homogêneo para que não comprometesse a parte melódica e harmônica, porém, aqui, Debussy consegue um pleno equilíbrio entre todos esses elementos, ao mesmo tempo em que desenraiza sutil e significativamente sua obra dos padrões estabelecidos até então pela prática da tradição austro-germânica.




El Sombrero de Tres Picos - Manuel de Falla

https://www.youtube.com/watch?v=PCgM4oeHf6U


É uma parte de um ballet baseado na novela homónima do escritor Pedro Antonio de Alarcón.


SUÍTE Nº. 1

Compreende três movimentos: Introdução, Dança da moleira e o Corregedor e Final:

- Uma fanfarra formada pelas trompas, trompetes e os tímpanos.

- É desenvolvido num desenho do fagote.

- Movimento alterna-se o compassos binários e ternários.


SUÍTE Nº. 2

Esta suíte também é formada por três movimentos: Os vizinhos, Dan’xca do moleiro e Dança final

- Compasso 3/8 sucedido por um compasso 2/2




Estampes - Debussy
https://www.youtube.com/watch?v=n_XFT6KQHsE


Estampes, composto em 1903 é agrupada numa segunda fase das composições de Debussy. Essa segunda fase compreende peças como D'un cahier d'esquisses, Lindaraja, Masques etc. A obra foi debutado pelo pianista Ricardo Viñes, famoso pianista da época.



Estampes marcariam o auge da capacidade do autor em criar a partir dos sons, efeitos imagéticos, oras do Extremo Oriente, ora da Espanha, ora de Jardins sob as chuvas.

Estampes é integrado por três peças: "Pagodes", "La Soirée dans Grenade" e "Jardins sous la pluie".


I. "Pagodes": Debussy fora muito influenciado pela Exposição Universal de 1889, em Paris. Nela, o compositor tomou nota de uma orquestra javanesa, composta por inúmeros timbres de cunho orientalístico. Tomando este ponto de partida, Debussy escreveria "Pagodes" baseando-se nas imagens dos templos do Extremo. Nesta peça, Debussy faz uso da escala pentatônica, fato que introduz efeito de melodias orientais.


II. "Soirée dans Grenade": muitos já ouviram falar do famoso compositor espanhol Manuel de Falla. Ao ser questionado qual obra melhor evocava ares espanhóis, de Falla não hesitou, sua resposta: " 'Soirée dans Grenade' ". É cômico perceber que Debussy não utilizou temas folclóricos espanhóis, mas todo milésimo de segundo da peça evocam a Espanha. Também na Exposição Universal, teve lá Debussy contato com cantos e danças espanholas. Talvez desta visão pode Debussy criar essa imagem espanhola tão digna. Soirée nos introduz uma ambientação noturna, e marcações dados por Debussy, como "... plus d'abandon”.


III. "Jardins sous la Pluie": Debussy baseou essa peça nos jardins de Mademoselle de la Rouvrage. O compositor faz extenso uso de canções populares francesas nos temas, tais como Dodo, l'enfant dormira bientôt e Nous n'irons plus au bois, les lauriers sont coupés. As notas do tema, realmente lançadas, passam a ideia de gotas caindo.


Maria Eduarda Borges






3.



A Semana de Arte Moderna, também conhecida como Semana de 22 por ocorrer no ano de 1922, entre os dias 11 a 18 de fevereiro, foi realizada no Teatro Municipal de São Paulo. Essa semana foi um movimento cultural que tinha como objetivo renovar e transformar o contexto artístico e cultural urbano tanto na literatura, quanto nas artes plásticas, na arquitetura e na música, abolindo a perfeição estética tão apreciada no século XIX, ou seja, libertar a arte brasileira da reprodução de padrões europeus e dar início à construção de uma cultura essencialmente nacional.
Os artistas brasileiros buscavam uma identidade própria e a liberdade de expressão. A falta de um padrão e o experimento, por parte dos artistas, de diferentes caminhos, gerou a incompreensão e insatisfação principalmente por parte da elite que foi assistir a este novo movimento. Porém essa ruptura com o passado e as novas ideias e conceitos artísticos marcados pelo evento exerceram grande influência para o projeto literário do Modernismo brasileiro, como a poesia através da declamação, ao invés de ser somente escrita, como antigamente.
Diversos artistas, tanto europeus como brasileiros, voltavam da Europa influenciados pelas vanguardas. Um deles, Oswald de Andrade, voltou implementando a cultura do futurismo, assim como a jovem pintora Anita Malfatti, que também sofreu influências do cubismo e do expressionismo. Devido a divergência de pensamentos entre esses artistas, as coletâneas de ideias se dividiram em tendências diferentes, porém todas pleitando a mesma herança, entre elas o Movimento Pau-Brasil e o Movimento Antropofágico, ambos por Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral, e o Movimento Verde-Amarelo e Grupo da Anta.
A inauguração da Semana de Arte Moderna foi dada com uma palestra do escritor Graça Aranha intitulada "A emoção estética da Arte Moderna". Nos dias seguintes ocorreram apresentações musicais de Villa-Lobos, com a participação de vários músicos, palestras, exposições das novas obras de arte e leituras de poemas, entre eles, "Os Sapos", de Manuel Bandeira, que após ser lido por Ronald de Carvalho, é vaiado devido à crítica que o poema faz ao parnasianismo e seus adeptos.
Outro poema também relevante de Manuel Bandeira é "Poética", que apresenta uma forte característica modernista pela ruptura com clássico modo de se escrever, evidenciado pela revolta do eu lírico com o antigo lirismo e a proposta de um novo que represente a liberdade, assim como pela ausência de rimas, ritmo e estrofes com quantidade de versos semelhantes (o poema só apresenta duas estrofes, sendo a última constituída de um só verso). Outro destaque que podemos fazer que evidencia o caráter contestatório do poema é o constante uso de anáforas, como na repetição das expressões "estou farto do lirismo...". Devido a essa apologia à quebra da ruptura da tradição, juntamente com uma visão pregressiva da literatura com a sugestão do novo lirismo libertador, podemos associar esse poema ao futurismo, que propõe justamente essa negação com o passado e possui uma visão direcionada ao futuro.

Ísis Avon e Marina Pimenta

Poética

Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente
protocolo e manifestações de apreço ao Sr. diretor.
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário
o cunho vernáculo de um vocábulo.
Abaixo os puristas
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis
Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja
fora de si mesmo
De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário do amante
exemplar com cem modelos de cartas e as diferentes
maneiras de agradar às mulheres, etc
Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbedos
O lirismo difícil e pungente dos bêbedos
O lirismo dos clowns de Shakespeare

- Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.