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O contexto histórico da Europa e do Brasil à época do surgimento do Modernismo:

Durante a Segunda metade do século XIX, a sociedade brasileira passou por mudanças fundamentais nos campos políticos, sociais e na forma de ver e entender a nova realidade. Durante esse período foi criada a Constituição, se iniciou a substituição do trabalho escravo pelo trabalho assalariado, as fazendas de café e outras lavouras brasileiras modernizaram-se e as cidades cresceram, nelas as primeiras indústrias se instalaram.
Podemos chamar essa época de “surto industrial no Brasil”, pois nesse período foram instaladas mais de 70 fábricas que produziam vários objetos (sabão, tecidos e chapéus) que eram antes comprados no exterior. Também foram fundados quatorze bancos, três caixas econômicas, vinte companhias de navegação a vapor, vinte e três companhias de seguro, oito estradas de ferro, além da criação de empresas de mineração, transporte urbano, gás, e etc.


Com o crescimento da área industrial, teve início os problemas ligados aos trabalhadores, como greves e movimentos operários – como o ludismo e o cartismo - ocasionados principalmente pelas grandes jornadas de trabalho, mão-de-obra infantil e feminina indiscriminada, sem nenhuma regulamentação de salários.


No final do séc. XIX ocorreram várias transformações no Brasil e no mundo, algumas delas ocasionadas pelo surgimento de vanguardas. A palavra “vanguarda” vem do francês, “avant-garde”, que significa a guarda avançada ou parte frontal de um exército. Essa palavra foi criada por motivos metafóricos relacionados à política. O termo vanguarda foi utilizado para as artes inserido aos movimentos artísticos por causa da ruptura de modelos pré-estabelecidos.


Com as diversas transformações mundiais tecnológicas que começaram a ocorrer com a virada do século – como a eletricidade, o avião e o cinema - a realidade do homem começou a mudar, influenciando também a arte. Para os artistas dos movimentos de vanguardas, a interpretação do mundo não podia ser literal.


Com essas mudanças, surgiram diversas manifestações artísticas, como o Expressionismo (realidade já não era essencial), o Futurismo (desvalorização da tradição e do moralismo), o Cubismo (representar o mundo a partir de formas geométricas), o Fauvismo (movimento caracterizado pela exploração intensa da cor) o Dadaísmo (intenção de destruir todos os sistemas e códigos estabelecidos no mundo da arte), e o Surrealismo (expressão do pensamento de maneira espontânea e automática), que originaram o Modernismo.








O Cubismo - Artes Visuais:
O cubismo teve seu surgimento no século XX. Com suas formas geométricas representadas, na maioria das vezes, por cubos e cilindros, a arte cubista rompeu com os padrões estéticos que primavam pela perfeição das formas na busca da imagem realista da natureza. A imagem única e fiel à natureza, tão apreciada pelos europeus, deu lugar a esta nova forma de expressão onde um único objeto pode ser visto por diferentes ângulos ao mesmo tempo.

O marco inicial do Cubismo ocorreu em Paris, em 1907, com a tela Les Demoiselles d'Avignon, pintura que Pablo Picasso levou um ano para finalizar. Nesta obra, este grande artista espanhol retratou a nudez feminina de uma forma inusitada, onde as formas reais, naturalmente arredondadas, deram espaço a figuras geométricas perfeitamente trabalhadas. Na arte cubista há uma forte influência das esculturas africanas e também das últimas pinturas do pós-impressionista francês Paul Cézanne, que retratava a natureza através de formas bem próximas às geométricas.

Historicamente o Cubismo se dividiu em duas fases: Analítico, até 1912, onde a cor era moderada e as formas eram predominantemente geométricas e desestruturadas pelo desmembramento de suas partes equivalentes. Já no segundo período, a partir de 1912, surge a reação a este primeiro momento, o Cubismo Sintético, onde as cores eram mais fortes e as formas tentavam tornar as figuras novamente reconhecíveis através de colagens realizadas com letras e também com pequenas partes de jornal.


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Les Demoiselles d'Avignon - Pablo Picasso

Formas geométricas; Desperta sensações táteis; Tema apresentado de todos os lados simultaneamente.



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Portrait of Picasso - Juan Gris
Figura e fundo se fundem; Destruição da harmonia clássica; Forte fragmentação.



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O beijo - Pablo Picasso

Tema apresentado de todos os lados simultaneamente; Poucas cores; Nega a aparência real das coisas.



O Futurismo - Artes cênicas:

Em 11 de janeiro de 1911, Filippo Tommaso Marinetti assinou, em Milão, o “Manifesto dos Dramaturgos Futuristas”, o qual defendia que a “arte dramática não deve fazer fotografia psicológica, mas, ao contrário, tender a uma síntese da vida nas suas linhas mais típicas e mais significativas”. Era a defesa de um teatro rápido, ágil, pois não deveria “existir arte dramática sem poesia, isto é, sem entusiasmo e sem síntese”.
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Os futuristas tinham também outra máxima: “tudo é teatro quando tem valor”. Para os futuristas, mesmo as situações da nossa vida cotidiana encerram inúmeras possibilidades cênicas.










O Impressionismo - Música:
O Movimento Impressionista na música destacou-se principalmente na França, que se iniciou no meio do Século XIX e continuou até o meio do século XX. A música impressionista surgiu de uma reação aos excessos da Era Romântica.

Enquanto este período foi caracterizado como uma Era de uso dramático do sistema das escalas maior e menor, música impressionista tende a fazer mais uso de dissonância com escalas não tão comuns, tal como a escala hexafônica.

Um dos músicos percussores desse estilo inovador na música foi Claude Debussy. As técnicas que ele utilizou para conseguir afastar o pesado estilo alemão foram comparadas às técnicas da pintura impressionista. O modo em que Debussy usava para compor era semelhante aos artistas do impressionismo. Usava os sons por seu efeito expressivo, usava acordes dissonantes (frequentemente de nonas) que se fundiam em outros, formando “cadeias de acordes” em movimentos paralelos. Em suas peças orquestrais, Debussy explora inusitadas combinações de timbres, ritmos, fluidos, texturas.

O nacionalismo no século XX surgiu como influência para alguns compositores, como Vaughan Williams na Inglaterra e Bartók Kodáli na Hungria: recolheram cantos folclóricos, estudando principalmente padrões rítmicos e melódicos, que frequentemente baseavam-se em modos e escalas incomuns. As influências jazzísticas afetaram compositores como Ravel, Kurt Weill, Stravinsky, Walton e Copland. A politonalidade e atonalidade também são fortes características do impressionismo.





Prelúdio ao entardecer de um fauno de Claude Debussy, de 1894. É baseada em um poema simbolista de Stéphane Mallarmé. Assemelha-se a uma espécie de abertura. A harmonia da música é baseada em tons inteiros. O próprio Debussy falou o que mostrava a música:“A música deste prelúdio é uma ilustração muito livre do belo poema de Mallarmé. De jeito nenhum é uma tentativa de ser uma síntese do poema. É mais uma sucessão de cenas por que passam os desejos e os sonhos do fauno no calor da tarde. Depois, cansado de perseguir as tímidas ninfas e náiades em fuga, ele cai num sono profundo, no qual pode finalmente realizar seus sonhos de posse na Natureza universal”.






Allegro Barbaro de Béla Bartók composta em 1911 apresenta como principais características do impressionismo a harmonia e o ritmo constante durante toda a obra.





A sagração da Primavera do compositor erudito russo Igor Stravinsky, subverte a estética musical do século XX. Este espetáculo narra a trajetória de uma garota marcada para ser entregue como oblação à divindade primaveril, no auge de um ritual pagão, com o objetivo de conquistar para seu povo uma colheita proveitosa. O espetáculo é estruturalmente dividido em duas partes essenciais: a adoração da terra e o sacrifício. A orquestra é composta por 8 trompas entre 38 instrumentos de sopro. Tudo tem início com a execução de compassos de fagote, seguidos pelo princípio de uma musicalidade lituana, por um andamento sem nenhuma simetria e repleto de padrões complexos, e por um timbre raro nos instrumentos. Na sagração da Primavera destacam - se características como o ritmo, tonalidades paralelas, dissonâncias, harmonia tonal despertando: calma e atenção.






Semana de arte Moderna e Modernismo - Os reflexos no Brasil:

A Semana de Arte Moderna ocorreu em 1922 em São Paulo, foi um evento de grande importância, porém só foi reconhecida um tempo depois, pois na época, os artistas participantes não foram compreendidos pelo público pelo fato do movimento modernista visar a ruptura com os valores estéticos padrões e conservadores europeus.

Em um período agitado, intelectuais brasileiros buscaram um jeito de inovar , romper com os valores conservadores que estavam impregnados na sociedade brasileira da época. O movimento modernista não foi muito bem aceita e gerou críticas e polêmicas, que acabaram incentivando a Semana de Arte Moderna, pois o seu objetivo era efetivamente causar polêmica.

Os artistas brasileiros buscavam construir identidade própria e liberdade de expressão, com esse propósito buscavam diferentes caminhos sem definir nenhum padrão. Alguns de seus mais significantes artistas como Anita Malfati utilizaram as vanguardas que estavam culminado na Europa, como o Cubismo, Expressionismo e Futurismo. Manuel Bandeira foi vaiado quando recitou o poema "Os Sapos", mostrando o descontentamento da elite paulista presente no Teatro Municipal de São Paulo.

O Movimento Modernista só foi compreendido com o passar do tempo e foi ajudado por alguns movimentos, como: o Movimento Antropofágico, mudando o conservadorismo e inserindo novas ideias na sociedade brasileira.


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Os sapos
Por Manuel Bandeira

Enfunando os papos,
Saem da penumbra,
Aos pulos, os sapos.
A luz os deslumbra.
Em ronco que aterra,
Berra o sapo-boi:
- “Meu pai foi à guerra!”
- “Não foi!” – “Foi!” – “Não foi!”.
O sapo-tanoeiro,
Parnasiano aguado,
Diz: – “Meu cancioneiro
É bem martelado
Vede como primo
Em comer os hiatos!


bandeira.jpgOs termos cognatos.
O meu verso é bom
Frumento sem joio.
Faço rimas com
Consoantes de apoio.
Vai por cinquenta anos

Que lhes dei a norma:
Reduzi sem danos
A fôrmas a forma.
Clame a saparia

Em críticas céticas:
Não há mais poesia,
Mas há artes poéticas…”

Urra o sapo-boi:
- “Meu pai foi rei!”- “Foi!”
- “Não foi!” – “Foi!” – “Não foi!”.
Brada em um assomo
O sapo-tanoeiro:
- A grande arte é como
Lavor de joalheiro.

Ou bem de estatuário.
Tudo quanto é belo,
Tudo quanto é vário,
Canta no martelo”.

Outros, sapos-pipas
(Um mal em si cabe),
Falam pelas tripas,
- “Sei!” – “Não sabe!” – “Sabe!”.

Longe dessa grita,
Lá onde mais densa
A noite infinita
Veste a sombra imensa;

Lá, fugido ao mundo,
Sem glória, sem fé,
No perau profundo
E solitário, é

Que soluças tu,
Transido de frio,
Sapo-cururu
Da beira do rio…



O poema "Os Sapos" faz uma crítica ao Parnasianismo de modo irônico e sarcástico, valendo-se do tema e da própria forma poética na construção poética. Manuel Bandeira faz algumas construções estruturais que dão sentido ao tema: uso de aliterações em "p" e "b" e uso de assonâncias em "u" e "a" que remetem ao som do pulo dos sapos. Outro aspecto estrutural que zomba dos aspectos requintados da escola parnasiana é uso das quadras ou quartetos, formas consideradas populares, contrastando, desse modo, com as formas sofisticadas, tais como, o soneto que é muito prezado no parnasianismo.
O poeta moderno não utiliza a forma como meio de compor o tema, mas também, como forma de compor a ironia temática presente no texto "Os Sapos". O poema traz a inovação e a ousadia, para causar o estranhamento e romper com tudo antigo.
















Grupo:

Ana Luísa Tayar (02); Bernardo Fonseca (05); Isabela Mury (22); Julia Rodrigues (25); Leandro Ramos (26); Taís de Campos (40).