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  • 1ª parte - História

Os avanços da ciência realizados a partir do século XIX mudaram a percepção da realidade e conduziram ao surgimento de movimentos de vanguarda, que rompiam com os modelos estéticos tradicionais.
As vanguardas artísticas foram resultado das profundas transformações sociais e culturais ocorridas a partir do final do século XIX, que foi um século marcado por invenções e descobertas, como a invenção da fotografia e a revolução industrial, talvez por isso, sua característica mais forte seja a apologia a tudo que se apresentava como o novo.
Os movimentos dessa época influenciaram a literatura, o teatro, a dança e o cinema, pois, para o artista vanguardista, a interpretação do mundo não podia ser literal.
A influência das vanguardas chega aqui no início do século XX e tem seu ápice na Semana de Arte Moderna de 1922. Vários artistas e intelectuais começaram a transpor tais movimentos para as artes brasileiras e o fizeram de uma forma um pouco diferente.




  • 2ª parte - Artes Visuais, Cênicas e Música

Cubismo:

Seu surgimento se deu no século XX e é considerado o mais influente deste período. Com suas formas geométricas representadas, na maioria das vezes, por cubos e cilindros, a arte cubista rompeu com os padrões estéticos que primavam pela perfeição das formas na busca da imagem realista da natureza. A fidelidade à natureza deu lugar a esta nova forma de expressão onde um único objeto pode ser visto por diferentes ângulos ao mesmo tempo. O marco inicial se deu com Picasso em 1907.
Essa arte foi dividida, posteriormente, em duas fases: o CUBISMO ANALÍTICO (a cor era moderada e as formas eram predominantemente geométricas e desestruturadas ocorrendo a necessidade decifrá-la), e o CUBISMO SINTÉTICO (cores mais fortes e as formas tentavam tornar as figuras novamente reconhecíveis através de colagens).


Pablo Picasso. Les Demoiselles d´Avignon, 1907. Óleo sobre tela. Museu de Arte Moderna, Nova York, EUA
Pablo Picasso. Les Demoiselles d´Avignon, 1907. Óleo sobre tela. Museu de Arte Moderna, Nova York, EUA


  • Simplificação das formas
  • Utilização de cores variadas
  • Utilização de formas geométrica

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  • Simplificação das formas
  • Utilização de cores variadas
  • Utilização de formas geométrica

Georges Braque. Violino e Jarro, 1910. Óleo sobre tela. Paris, FRA
Georges Braque. Violino e Jarro, 1910. Óleo sobre tela. Paris, FRA



  • Simplificação das formas
  • Utilização moderada das cores
  • Formas geométricas e desestruturadas

SURREALISMO:


FILME ORIGINAL: Stalker - Andrej Tarkovskij, 1979.
FILME ORIGINAL: Stalker - Andrej Tarkovskij, 1979.
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RELEITURA: Stalker - 2014



EXPRESSIONISMO:
Surge no final do século XIX com características que ressaltam a subjetividade. Neste movimento, a intenção do artista é de recriar o mundo e não apenas a de absorvê-lo da mesma forma que é visto. Aqui ele se opõe à objetividade da imagem, destacando, em contrapartida, o subjetivismo da expressão. Seu marco ocorreu na Alemanha, onde atingiu vários pintores num momento em que o país atravessava um período de guerra. Um grande compositor da música expressionista é Arnold Schoenberg, que nasceu m Viena no ano de 1874, criador do dodecafonismo. Abaixo temos aluns exemplos de suas obras:
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Arnold Franz Walter Schönberg (1874 - 1951)

Pierrot Lunaire - (1912)




  • A música é atonal e a solista soprano canta 21 poemas alemães selecionados.
  • Instrumentos: piano, violino, flauta, clarinete, violoncelo, flautim, clarinete baixo e viola.
  • Nessa fase, Shoenberg evita formas como a sintonia, o concerto ou qualquer manifestação clássica, o compositor buscava a atonalidade. A obra é baseada nos poemas de Hartleben - expressionista alemão. Além da atonalidade e da instrumentação revolucionária, ainda há na obra o Sprechgesang - "canto falado" ou "fala cantada - a altura das notas são indicadas por Shoenberg e devem ser alcançadas e logo abandonadas, levando a falta de clareza - o que muda a interpretação de intérprete para intérprete.
  • Apesar do pequeno número de instrumentos, cada uma das 21 partes contém instrumentação diferente; e todos os instrumentos são usados apenas na última parte.

Um sobrevivente de Varsóvia - (1947)



  • Oratório para voz recitante, composta em estilo dodecafônico;
  • Homenagem às vítimas do nazismo na Polônia;
  • Pluralidade de idiomas cantados.
  • Instrumentos: duas flautas, dois oboés, dois clarinetes, dois fagotes, quatro trompas, três trompetes, três trombones, tuba, tímpanos,
    glockenspiel (metalofone), xilofone, carrilhões, bumbo, pratos, tam-tam, bombo tambor, triângulo, pandeiro, castanholas, harpa e cordas.
  • O texto em que Shoenberg baseou-se foi o dito por uma bailarina russa e o tocou bastante pois amigos dele tinham perdido a vida de forma semelhante durante o regime nazista.

Kammersymphonie op.9 - (1906)



  • Forma compactada, apresenta elementos atonais e dissonância.
  • Instrumentos: flauta, oboé, corne inglês, clarinete, fagote, corno, violinos, violas, violoncelos, baixos.
  • Comprime o formato clássico em um movimento de tensão única destinado a apenas 15 executantes, enquanto a Suite com os seus sete instrumentos se converte um turbilhão de vitalidade cuja inspiração está nos estilos de dança que eram populares durante a década de 1920.
  • O conjunto de diversas texturas harmônicas compõem a superfície musical da obra.



  • 3ª parte- Português


A Semana de Arte Moderna foi realizada no Teatro Municipal de São Paulo e teve como intenção criar uma arte essencialmente brasileira, embora em sintonia com as novas tendências europeias.
Durante uma semana novos conceitos foram difundidos e despontaram talentos como os de Mário e Oswald de Andrade na literatura, Víctor Brecheret na escultura e Anita Malfatti na pintura.
O movimento eclodiu em um contexto repleto de agitações políticas, sociais, econômicas e culturais. Em meio a este redemoinho histórico surgiram as vanguardas artísticas e linguagens liberadas de regras e de disciplinas. A elite, habituada aos modelos estéticos europeus mais arcaicos, sentiu-se violentada em sua sensibilidade e afrontada em suas preferências artísticas.
O principal centro de insatisfação nesta época, a literatura, possuía escritores que apresentavam um ponto de vista nacionalista, porem critico. Entretanto, movimentos como o Futurismo, o Cubismo e o Expressionismo começavam a influenciar os artistas.
Abaixo temos um pequeno documentário e imagens referentes a Semana de Arte Moderna:



Macunaíma. Mário de Andrade, 1928.
Macunaíma. Mário de Andrade, 1928.


Cristo em bronze. Victor Brecheret, 1920.
Cristo em bronze. Victor Brecheret, 1920.


Pauliceia Desvairada. Mário de Andrade, 1922.
Pauliceia Desvairada. Mário de Andrade, 1922.


Fernanda de Castro. Anitta Malfati, 1922.
Fernanda de Castro. Anitta Malfati, 1922.


Pau-Brasil. Oswald de Andrade, 1924.
Pau-Brasil. Oswald de Andrade, 1924.


"O Zé Pereira chegou de caravela
E preguntou pro guarani de mata virgem
-Sois cristão?
-Não, Sou bravo, sou forte sou filho da morte
Tetetê tetê Quizá Quizá Quecê!
Lá de longe a onça resmungava Uu! Ua! uu!
O negro zonzo saído da fornalha
Tomou a palavra e respondeu
-Sim pela graça de Deus
Canhem Babá Canhem Babá Cum Cum!
E fizeram o carnaval."

(Oswald de Andrade - Brasil)
"Ela repetia sempre "Carlos", era a sensualidade dela.
Talvez de todos...
Se você ama, ou por outra se já deseja no amor,
pronuncie baixinho o nome desejado.
Veja como ele se moja em formas
transmissoras do encosto que enlanguesce.
Esse ou essa que você ama,
se torna assim maior, mais poderoso.
E se apodera de você.
Homens, mulheres, fortes, fracos...
Se apodera."


(Mario de Andrade - Amar verbo intransitivo)
"Dê-me um cigarro
Diz a gramática
Do professor e do aluno
E do mulato sabido
Mas o bom negro e o bom branco
Da nação brasileira
Dizem todos os dias
Deixa disso camarada
Me dá um cigarro"

(Oswald de Andrade - Pau-Brasil)


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No poema Poética, do autor Manuel Bandeira, percebe-se vínculos com a estética modernista. A utilização de versos livres, abandono de rimas, críticas aos valores ultrapassados das estéticas anteriores e supressão da pontuação são algumas das características modernas presentes no poema. Tais aspectos, sempre defendendo um lirismo libertador, dialogavam com a crença dos modernistas de que a rigidez das escolas anteriores controlava a elaboração poética e que, por possuir tantas particularidades, tantas regras, acabava por traçar qual caminho o autor deveria seguir em seu processo de criação, extinguindo sua originalidade. Ao repetir “estou farto”, o eu-lírico enfatiza sua repulsa pelos elementos normativos e pela ordem que transformam a arte em um ato burocrático.
Da mesma forma, ele usa “funcionário público!” fazendo “manifestação de apreços ao Sr. Diretor.” como uma alusão aos artistas das escolas precedentes, os “bons moços”, seguidores de normas, submissos. O autor utiliza de elementos estereotipados para fazer analogias às estéticas antecessoras (consideradas inclusive antiquadas), ironizando-as. Da mesma forma, depreende-se da recusa ao “lirismo namorador”, “Raquítico”, “Sifilítico”, comum ao Romantismo egótico e do mal do século, um caráter crítico provocativo.
O eu-lírico ansiava pela saída da passividade habitual, visto sua atitude antiformalista e sua busca pelo “lirismo dos bêbados” e dos “clowns de Shakespeare”, isto é, o lirismo daqueles que se desligaram da razão e da ordem. Há o desejo pela atualização, pela liberdade, pelo abandono do antigo. O último verso sintetiza todo o poema: “Não quero mais saber do lirismo que não é libertação”, sendo usado dupla negação para reafirmar o propósito do poema.